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Geral

Tensão com países do continente leva regime de Maduro a prender jornalistas

31 de janeiro de 2019 Geral
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Por Sylvia Colombo, da Folhapress

CARTAGENA-COLÔMBIA – As detenções e o cerceamento do trabalho dos correspondentes internacionais na Venezuela têm ocorrido abertamente por questões políticas. Tanto o brasileiro Rodrigo Lopes, do jornal Zero Hora, como os chilenos Rodrigo Pérez e Gonzalo Barahona ouviram de seus captores que seus governos eram inimigos da Venezuela.

“Eles falaram várias vezes do Bolsonaro, da postura dele, do que estava falando sobre Maduro”, contou a Folha o gaúcho Rodrigo Lopes. O mesmo ocorreu com os chilenos, que ouviram críticas a Sebastián Piñera.

Na manhã desta quinta-feira, 31, o chanceler colombiano Carlos Holmes Trujillo afirmou que “desde que soubemos da desaparição de Leonardo Muñoz, que se encontrava cobrindo a situação na Venezuela para a agência espanhola Efe, estamos atentos para que nossos representantes diplomáticos resolvam sua situação. Exigimos respeito à sua integridade e a liberdade de imprensa”.

A desaparição de Muñoz causou grande repercussão na imprensa e na sociedade colombiana. Colômbia e Venezuela são vizinhos e parceiros históricos desde a época da independência de ambos, na primeira metade do século 19.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa na Venezuela informou que Muñoz, sua conterrânea e colega de agência Efe Maurén Barriga Vargas, e o espanhol Gonzalo Domínguez serão deportados para seus países ainda nesta quinta-feira.

A deterioração da relação entre Bogotá e Caracas começou após a eleição de Iván Duque, afilhado do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Apesar de se definir como de centro, foi eleito com amplo apoio da direita e pelo Centro Democrático, partido de Uribe. Seu antecessor, Juan Manuel Santos (2010-2018), evitou confrontos e críticas ao ditador Maduro porque precisava de sua ajuda para concretizar o acordo de paz da Colômbia com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Em várias ocasiões, Santos disse que sem a ajuda venezuelana seria impossível concluir a negociação, aprovada em finais de 2016. “Pela paz, me tornei o melhor amigo da Venezuela”, dizia Santos à época, ainda sob várias críticas.

Já Duque preferiu o embate aberto, o que além de ter produzido como efeito colateral a prisão do fotógrafo colombiano em Caracas, jogou por terra o acordo de paz com a segunda maior guerrilha do país, o ELN (Exército de Libertação Nacional). A participação da Venezuela nesses tratados é essencial porque as guerrilhas colombianas se escondem e acampam em território venezuelano.

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Assuntos Nicolas Maduro, Venezuela
Cleber Oliveira 31 de janeiro de 2019
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