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Dia a Dia

Sarampo se alastra entre os ianomâmis na Venezuela e mata 72

6 de outubro de 2018 Dia a Dia
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Casos de sarampo entre os ianomâmis está entre a faixa etária 10 a 12 anos (Foto: Marcos Wesley/ISA)

Da Folhapress, por Fabiano Maisonnave

MANAUS – Fora de controle, o surto de sarampo na fronteira entre a Venezuela e o Brasil já matou 73 ianomâmis neste ano, segundo números oficiais de ambos os países. Desses, apenas um caso foi registrado em território brasileiro.

Do lado venezuelano, onde vivem cerca de 16 mil ianomâmis, foram confirmadas 19 mortes de ianomâmis apenas entre agosto e setembro, segundo boletim epidemiológico da Opas (Organização Panamericana de Saúde), que se baseia em informações repassadas pelo governo venezuelano.

Dois especialistas venezuelanos ouvidos pela Folha de S.Paulo temem que o número de casos e de mortos seja ainda maior.

“De acordo com a informação que recebemos diretamente de agentes comunitários de saúde ianomâmis, a situação atual parece indicar que os casos estão aumentando, que o surto se expandiu a outros setores e comunidades e que há um número maior de mortos pela doença”, diz Luis Bello, da Associação Wataniba, que promove direitos indígenas.

Bello afirma que o governo venezuelano tem dificuldades logísticas e de apoio aéreo para o combate ao sarampo. “Nossa organização é as organizações indígenas têm insistido na necessidade de continuar acompanhando a epidemia, ser mais efetivo com as vacinações e ampliar o alcance dos operativos de saúde.”

“A única informação que temos é a publicada por meio da Opas uma vez ao mês, no melhor dos casos”, afirma Julio Castro, professor do Instituto de Medicina Tropical da Universidade Central da Venezuela (UCV), a mais importante do país.

“Mas os médicos que estão nos hospitais nos dizem que os serviços de epidemiologia são lentos para classificar os casos. Ou seja, há uma burocracia relacionada e uma evolução natural sem que o governo tenha controle em nível nacional.”

Segundo ele, a epidemia na Venezuela mostra que a cobertura vacinal no país governado por Nicolás Maduro teve uma queda vertiginosa há pelo menos uma década. “O fato de que o grosso dos casos está entre pessoas de 10 a 12 anos revela que elas não foram vacinadas quando tinham 1 ou 2 anos.”

Relatório do Ministério da Saúde venezuelano indica que o último surto de sarampo entre os ianomâmis ocorreu em 1968, com uma taxa de mortalidade de até 17,1% entre os doentes de comunidades infectadas.

Nos dois lados, os ianomâmis ocupam uma área de 192 mil km2, pouco menor do que o estado do Paraná.
No lado brasileiro, onde moram cerca de 27 mil ianomâmis, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) conseguiu, até agora, conter o avanço do sarampo, principalmente por meio de campanhas de vacinação.

Até julho, a Sesai havia registrado 74 casos confirmados, incluindo um morto, e nove suspeitos. Desses casos confirmados, 66 são de ianomâmis com nacionalidade venezuelana. “A Sesai intensificou a ação na fronteira e conseguiu criar um cinturão. Os ianônamis do lado brasileiro se sentem seguros, é uma feliz realidade”, afirma Marcos Wesley de Oliveira, coordenador em Roraima da ONG ISA (Instituto Socioambiental).

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Assuntos Amazonas, brasil, ianomâmis, indígenas, Sarampo, Venezuela
Valmir Lima 6 de outubro de 2018
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