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Augusto Barreto Rocha

Desenvolver a Amazônia significa romper a inércia do repouso

17 de setembro de 2018 Augusto Barreto Rocha
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Não existe certeza absoluta sobre o futuro de nenhum ser humano. De acordo com o olhar, isso pode ser um temor ou uma alegria. Assim, existem duas alternativas objetivas: entregar nosso comando para outro, o que me parece um equívoco, ou, com energia e determinação, realizar tudo que estiver ao nosso alcance para a construção de um futuro melhor. Entendo ser praticamente impossível que alguém virá realizar o meu desejo, a não ser enquanto existir uma visão infantil sobre a humanidade. Traçando uma relação com a Amazônia, enquanto sua população e gestores continuarem sem decidir o que desejam realizar, sobre o que se deseja para o futuro, veremos ondas preservacionistas, interrompidas, vez por outra, por algum crime ambiental. Este ciclo precisa ser rompido.

E romper a inércia não é fácil. Necessita muita energia. A Amazônia vem sendo trancada para atender a interesses estranhos aos dos moradores. Isso precisa mudar e esta mudança somente será possível se os moradores da região compreenderem esta necessidade.

É claro que a certeza na realização de um empreendimento é relativa. Mesmo assim, empreendimentos precisam ser realizados, para a construção do futuro. Imobilidade somente interessa ao inimigo. De fato, os inimigos da região são todos aqueles que não querem usar os recursos da floresta de uma maneira sustentável e gerando riqueza para cá. O que percebo é que todos os que querem preservar por preservar, são de uma das categorias a seguir: preguiçosos que nada querem fazer, pessoas manipuladas pelo interesse de terceiros ou pessoas com interesses claros em ganhos para si, advindos de outras fontes e que não se interessam pelos ganhos de quem vive na Amazônia.

Há um engano reinante em nosso País, o qual indica que alguém salvará, que alguém fará, que alguém precisa sair da cadeia ou que alguém deve ser preso. A pauta de discussões não é sobre o que construir, mas sobre o que destruir. Estamos discutindo o futuro das destruições, ao invés de um debate sobre como realizar, discute-se como nada fazer. É cômodo nada fazer, mas o convite para reduzir a incerteza é começar a fazer algo.

O pior é que o grupo dos preguiçosos cada vez aumenta mais e tem ganhado força, pois em pleno século XXI ainda se espera que o Governo faça algo para melhorar. Precisamos unir as forças dos que possuem interesse em realizar o desenvolvimento, retirando os mecanismos para atrapalhar que o Governo tem imposto. É necessário que a eleição que será realizada em poucos dias busque a construção do futuro, ao invés do retorno aos modelos do passado e que já estão superados pela história. É necessário que voltemos a debater de maneira franca o pensamento, sem sofrer retaliações. No momento atual, quando uma pessoa externa o que pensa, sofre censura. É assustador o quanto isso está sendo danoso para o nosso desenvolvimento, pois perdemos a capacidade dialética e não conseguimos avançar. A lógica é falar e não ouvir. A lógica é encontrar desculpas para não fazer e dar voz a presidiários e seus comparsas que ameaçam quem pensa de outra forma.

E qual a solução? Produção, alinhando ciência, capital, sociedade, para realizar os potenciais da região. Todos potenciais que acreditarmos serão realizados. Enquanto não acreditarmos que podemos realizar, será isso que acontecerá. Desenvolvimento não é um caminho rápido. Escrevo este texto em uma universidade americana, onde estou por uma semana para um curso. É animador andar por aqui: ver um monte de gigantes do setor farmacêutico coladas na Universidade. Temos tudo para fazer o mesmo e ir mais longe, pois tudo ainda estar por ser feito: tecnologia dos genes, pesquisa do genoma, engenharia de bioprocessos, bioinformática etc. Não há melhor lugar para se estar no mundo do que na Amazônia: precisamos acreditar nisso e construir um futuro melhor, rompendo a inércia que nos ancora ao passado.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas, Amazônia, Augusto Barreto Rocha
Redação 17 de setembro de 2018
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