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Variedades

Com personagens femininas fundamentais, estreia ‘Homem-Formiga e a Vespa’

2 de julho de 2018 Variedades
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O filme é o primeiro longa da marvel a conter o nome de uma super-heroína no título(Foto: Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Quem acompanha os filmes do Universo Cinematográfico Marvel (UCM) há de notar algo diferente e especial no título do mais novo lançamento da companhia, o terceiro deste ano. Homem-Formiga e a Vespa, dirigido por Peyton Reed e que estreia na próxima quinta, 5, é o primeiro longa do estúdio a conter o nome de uma super-heroína. Como disse a própria Vespa/Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) no fim de Homem-Formiga (2015), a primeira aventura da personagem, “até que enfim!”

“Sempre soubemos que esta seria a festa de debutante de Vespa”, afirmou o diretor Peyton Reed em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em Los Angeles. “Sou fã dos quadrinhos da Marvel, o Homem-Formiga e a Vespa são fundadores dos Vingadores. Sinto responsabilidade por esse legado.”

Responsabilidade também é a palavra utilizada pela atriz Evangeline Lilly que, antes de interpretar a primeira super-heroína num título de filme da Marvel, fez Lost e O Hobbit. “Sinto responsabilidade de fazer justiça à personagem, torná-la divertida e empoderadora.” Lilly conversou muito com o diretor, que descreveu o processo da atriz como analítico. “Queríamos que fosse diferente de outras personagens do Universo Cinematográfico Marvel”, disse Reed. “Para isso, ela tinha de ser tão real e tridimensional quanto possível. Ela sua quando luta, seu cabelo é preso de forma prática, num rabo de cavalo, assim o capacete pode entrar e sair. E ela tem uma missão muito pessoal. Está empenhada.”

Hope tem esperança de resgatar sua mãe, Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer), que ficou num tamanho subatômico quando a filha era pequena e desapareceu. Para isso, ela e seu pai, o dr. Hank Pym (Michael Douglas), vão precisar contar com a ajuda de Scott Lang (Paul Rudd), o Homem-Formiga, que cumpre prisão domiciliar depois de violar sua condicional ao se juntar aos Vingadores em Capitão América: Guerra Civil. Sua aparição acabou com o segredo dos trajes criados por Pym, que não está muito contente em trabalhar novamente com Scott – e o mesmo vale para Hope.

Além de Hope e Janet, há outra personagem feminina fundamental: Ava/Ghost (Hannah John-Kamen), que tem capacidade de atravessar corpos e paredes e está atrás dos equipamentos de Hank Pym para poder salvar sua própria vida. Originalmente, a personagem era um homem nos quadrinhos. “Não havia muita coisa sobre o passado. Não tem sua origem”, disse John-Kamen. “Eu dei vida a ela. Fui a primeira a fazê-la. Era nossa a decisão de como ela seria, não tirei nada dos quadrinhos. É legal ela ser mulher. É outra mulher valente do Universo Marvel.” A atriz inglesa espera agora que as crianças brinquem tanto com as bonecas dos personagens femininos da Marvel quanto com os masculinos.

Ao contrário de outros filmes da Marvel, o drama de Ava é tão compreensível que fica difícil chamá-la de vilã. “Pensamos mais em antagonistas do que em vilões”, disse Reed. “Ela tem alguns traços de vilania porque tem um objetivo e não vai parar enquanto não atingi-lo. Gosto quando entendo o ponto de vista do antagonista.” Ava também se encaixava na temática de pais e filhas da série: Scott e a pequena Cassie (Abby Ryder Fortson), Hope e Hank. “Cada filme da Marvel tem sua personalidade, mas acho que o nosso foca nas relações familiares, com uma leveza maior”, disse Peyton Rudd.

Os fãs do UCM também já sabem que precisam ficar no cinema até o final dos créditos. O diretor dá uma dica: “Sabíamos que tínhamos de lidar com as consequências de Vingadores: Guerra Infinita. E sabíamos que o filme ia se passar um pouco depois de Capitão América: Guerra Civil”. Mas a maneira como a cena extra foi feita tem tudo a ver com o Homem-Formiga e sua companheira de dupla mais capaz, resolvida e hábil, a Vespa.

Depois da tensão de ‘Guerra Infinita’, a leveza excessiva

Aquele estalar de dedos. Aquelas cinzas. As últimas palavras exibidas na telona: “Thanos voltará”. A desolação ao final de Os Vingadores: Guerra Infinita, filme lançado em abril deste ano, é daquelas que ficam na cabeça – e, caso não estejam porque o leitor não assistiu ao mais recente filme do Marvel Studios, é bom parar o texto por aqui, já que os spoilers estarão por todos os lados.

Depois de um final de filme de fazer o público engolir seco e entregar o melhor vilão da Marvel nos cinemas, o estúdio decidiu pela leveza. Assim, surge Homem-Formiga e a Vespa, um filme importante dentro do universo cinematográfico e de Hollywood, por dar o protagonismo devido à uma personagem tão crucial quanto a Vespa, vivida por Evangeline Lilly. Mas o longa de Peyton Reed parece voltar algumas casas na evolução apresentada no filme anterior. Voltamos à ênfase nos momentos cômicos – e Paul Rudd, o Homem-Formiga, é mestre no seu timing – e, novamente, peca ao entregar um antagonista capaz de criar qualquer sentimento de empatia. Na falta de um, são dois (talvez até três) e todos serão esquecidos no próximo verão.

Homem-Formiga e a Vespa tinha, sim, a responsabilidade enorme nos ombros de dar continuidade à trama de Vingadores. O foco é outro, contudo: explicar onde estava o herói com habilidade de encolher e se tornar gigante durante a batalha contra o titã Thanos. É claro, há uma conexão entre os filmes, mas a história do Formigão gira em torno de outro eixo.

Leveza, a Marvel sabe bem, é bem-vinda e os sorrisos, ótimos de se conquistar. A culpa é de Guerra Infinita, que mostrou como o estúdio pode mais. Parece, no fim das contas, que Homem-Formiga e a Vespa é um filme fora do seu tempo. Deveria ter saído uns seis meses atrás, antes de Thanos chegar na Terra, reunir as Joias do Infinito e mudar a história da Marvel nos cinemas – e elevar o nível de exigência com um filme de super-heróis.

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Assuntos cinema, cultura, Homem-Formiga e a Vespa, Marvel, Super-heróis
Redação 2 de julho de 2018
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