SÃO PAULO – Quando eu li que Bolsonaro havia criticado a intervenção federal feita pelo governo do presidente Michel Temer, sabia que havia algo de errado nessa história. Afinal, qual seria a postura ética e de bom senso vinda de uma pessoa com tantos posicionamentos desencontrados? Fui-me aprofundar no contexto de suas frases sempre com muito efeito e polêmica, porém, dessa vez estavam cheias de ironias e uma boa dose de inveja. Jair Bolsonaro descobriu a grande “fórmula mágica” de marketing e jogada política do extremismo e permaneceu sendo assim. Prometeu desde o início que seria o super herói da direita, quem acabaria de uma vez por todas com a criminalidade no Brasil, ainda que ele não entenda nada de educação e políticas públicas. Coisas básicas que qualquer um deveria saber, o deputado sequer sabe discutir sobre esses assuntos. Por isso ele sempre escolheu o mais fácil, como por exemplo, prometer que através da violência combateria de forma muito eficiente a própria violência. Justamente por isso, agora o deputado sente-se tão magoado e ultrajado, afinal o seu “fandom” sempre esperou que ele conseguisse a tão sonhada (por eles) intervenção militar. Temer foi lá e fez o que? Roubou a coroa de Bolsonaro e o deixando triste e desolado. Foi aí que começou a série de ataques contra aquilo que ele sempre defendeu: “O militar não tem poder de polícia, não pode atirar. Você tem que matar. Você não diz que estamos em guerra. O que é guerra? É matar.” Uma das frases de Bolsonaro ironizando a intervenção de Temer. Paciência, não é mesmo? Parece que agora a direita vai ter que se conformar com um novo herói sem capa, Michel Temer. Chupa, Bolsonaro!
