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@zmanchete

Tefé tem a gasolina mais cara do Brasil. Em algumas cidades, preço do litro beira os R$ 5

21 de janeiro de 2018 @ zmanchete
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Alta no preço do combustível foi o que mais gerou impacto na inflação de novembro (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)
Alta no preço do combustível é o maior da série histórica medida pela ANP (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)
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Do Estadão Conteúdo

RIO DE JANEIRO – Nos últimos seis meses, o preço médio da gasolina subiu 19,5% nos postos de combustível e já se aproxima dos R$ 4,20. Em algumas cidades, está perto de romper a barreira dos R$ 5. O preço médio, sem descontar a inflação, é o maior já registrado na série histórica da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que começou em 2001.

A gasolina mais cara do Brasil está na região Norte. Em Tefé, no Amazonas, o preço médio é de R$ 4,941 por litro. Em Manaus, alguns postos já vendem o combustível a R$ 4,55. Em Alenquer, no Pará, chega a R$ 4,838. Para os paulistas, a gasolina mais cara é de Dracena (R$ 4,196) e a mais barata fica em São José dos Campos (R$ 3,863).

A escalada do preço está relacionada à nova política de ajustes da Petrobrás, em vigor desde julho de 2017, quando a estatal anunciou que as variações ocorreriam com mais frequência. Nesse período, os preços foram reajustados 133 vezes. A mudança foi feita para dar agilidade aos reajustes e acompanhar a volatilidade da taxa de câmbio e da cotação de petróleo. O barril ficou 28% mais caro nesse período.

Quando se compara o preço da gasolina no País com o do mercado norte-americano – de livre concorrência e sem nenhum tipo de política de preços – percebe-se um ritmo diferente. Nos EUA, o combustível ficou cerca de 7,6% mais caro quando o preço é convertido a reais.

Uma das explicações pode estar na sazonalidade. O período comparado começa no verão – quando os combustíveis ficam mais caros nos EUA – e termina em pleno inverno – quando os preços historicamente são mais baixos. Lá, a gasolina custa, em média, US$ 2,639 o galão ou R$ 2,2576 por litro.

Para não colocar em cima do consumidor todo o peso da volatilidade internacional do petróleo, especialistas sugerem um ‘amortecedor de preços’. Um dos mecanismos mais citados seria usar a atual Cide (o tributo federal que incide sobre os combustíveis) como um ‘colchão’ para suportar a variação internacional, sem causar instabilidade no preço praticado no Brasil. O tributo seria variável: quanto maior o valor do litro, menor o porcentual da alíquota. E vice-versa.

“No Reino Unido, por exemplo, há certa estabilidade no valor cobrado, pois a volatilidade é amortecida pelo tributo variável. Isso dá mais estabilidade para o consumidor. A maior parte da Europa faz isso, e o Japão também”, defende o presidente da consultoria agrícola Datagro, Plínio Nastari.
O diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Adriano Pires, elogia a atual política de preços da Petrobrás por acabar com a ‘ficção econômica’ praticada nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff – que represaram os preços para conter a inflação.

Pires defende, no entanto, o aprimoramento do sistema com a adoção da Cide como imposto ambiental – que oneraria a gasolina em favor de combustíveis mais limpos, como etanol – e também para corrigir externalidades – como a variação do preço internacional dos combustíveis. “A próxima etapa é rever a questão tributária. É preciso avançar na questão ambiental e na volatilidade de preços”.

A disparada da cotação do petróleo é resultado da maior demanda e consequente diminuição dos estoques, já que a produção não cresceu no mesmo ritmo, segundo o relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Mas nem todo esse aumento chegou às bombas. “De maneira geral, o petróleo não é um bem consumido diretamente, mas utilizado para produção de derivados. As negociações são realizadas com base nas cotações dos próprios derivados e não na do petróleo”, explica a Petrobrás em nota ao Estadão/Broadcast.
A estatal reconhece que, no longo prazo, petróleo e derivados têm comportamento semelhante, mas “no curto prazo podem ocorrer, e de fato ocorrem, oscilações de diferentes magnitudes”.

Produtor

Mesmo próximo das maiores refinarias da Petrobrás, o Rio de Janeiro está no topo da lista dos Estados que pagam mais caro pela gasolina, atrás apenas do Acre, segundo levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O litro do combustível era vendido na capital fluminense por até R$ 4,998, na semana passada.

Em um posto da região central da cidade, o gerente Diego Pontes conta que o movimento caiu nos últimos meses. Para compensar, o posto optou por cortar custos. “Não chegamos a demitir. Mas estamos economizando. Em água, por exemplo. E acabamos com o cafezinho do lado da bomba, para todos os clientes”.

Os consumidores também buscam alternativas para economizar. O motorista profissional Milton Santos, de 60 anos, diz que passou a deixar o carro mais tempo na garagem e que “o jeito tem sido andar mais de bicicleta”. “É claro que não estou satisfeito. O governo só dificulta a nossa vida”. Ele afirma que, no dia a dia não tem sentido os efeitos da queda da inflação oficial.

O agente fiscal Nazareno dos Santos, de 65 anos, está buscando alternativas para diminuir os gastos. “Até o mês passado, a gasolina estava a R$ 3 e pouco. Agora, está a R$ 5. Passei a economizar mais em casa, a gastar menos no supermercado”.

Vizinhos

Cubatão, cidade litorânea com 127 mil habitantes a 70 quilômetros de São Paulo, tem cenário diferente de suas vizinhas. Sem praias, o município tem como base da economia as empresas do polo industrial, dentre elas a Refinaria Presidente Bernardes, da Petrobrás. Mas a localização também não ajuda quem precisa abastecer seu veículo por lá.

De acordo com a ANP, Cubatão é a quarta cidade de São Paulo com os preços mais altos de combustíveis nos postos. O motorista particular George Harynson Vieira de Almeida, de 25 anos, diz que vai para cidades vizinhas, como Santos e São Vicente, para abastecer seu carro. “Só coloco gasolina no carro por aqui se eu estou na reserva”.

A média dos preços em Cubatão é de R$ 4,214, segundo a ANP, mas na Avenida 9 de Abril, a principal da cidade, é possível encontrar a gasolina comum até por R$ 4,289. “Já cheguei a pagar de R$ 0,70 a R$ 1 a menos por litro nas cidades vizinhas. Não dá para entender: como temos um combustível tão caro, se temos uma refinaria a apenas dois quilômetros de distância do posto?”, questiona o jornaleiro Jason dos Santos, de 35 anos.

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Assuntos Amazonas, ANP, gasolina, Petrobras, Tefé
Cleber Oliveira 21 de janeiro de 2018
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1 Comment
  • joll disse:
    22 de janeiro de 2018 às 13:07

    Acho que não pesquisaram em todos os municípios, Tefé não tem a gasolina mais cara, visto que no Município de Envira/AM, o litro da gasolina custa mais de R$ 5, 80, portanto talvez seja a mais cara.

    Responder

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