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Desconfiado de investigação, médico da ‘Maus Caminhos’ tentou legalizar o ilegal

8 de janeiro de 2018 @ zmanchete
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Mansão do ex-governador José Melo avaliada em R$ 7 milhões, segundo a CGU, incompatível com sua renda (Foto: TV Globo/Reprodução)
Mansão do ex-governador José Melo avaliada em R$ 7 milhões, segundo a CGU, incompatível com sua renda (Foto: TV Globo/Reprodução)
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Por Henderson Martins, da Redação

MANAUS – Desconfiado de que estava sendo investigado, o médico Mouhamad Moustafa, considerado um dos líderes do esquema de corrupção na saúde pública no Amazonas e que desviou mais de R$ 120 milhões, pretendia legalizar ações que admitia serem ilegais. “A gente vai ter que buscar uma maneira de legalizar, ao máximo, mas tendo noção que estaremos legalizando o ilegal”, diz Moustafa a um advogado em gravação obtida pela Polícia Federal e a CGU (Controladoria Geral da União).

A conversa foi gravada pela sócia de Mouhamad, a enfermeira Jenifer Nayara Youchabel, que fez delação premiada. Na conversa, o advogado contratado por Mouhamad, que não foi identificado nas gravações, diz que o errado tem que ser bem feito. “O errado Mouhamad, tem que ser bem feito. Eu não faço pouquinho para dizer que aquele pouquinho está com sobrepreço”, afirma o advogado.

Em outra conversa gravada, o médico comenta que “… talvez, sejamos hoje um dos maiores contratos do Estado”.  Para a Salvare, uma de suas empresas prestadoras de serviços na saúde, Mouhamad disse que o Estado paga quase R$ 7 milhões.

“A Unisol (uma fundação que fornece pessoal ao Estado) recebe para cuidar do Francisca Mendes (hospital) algo em torno de R$ 7 milhões, por quê? Porque é um complemento. Aí tipo assim, o contrato da pediátrica é por fora. Nós mesmos temos contrato lá, de enfermagem. A limpeza e a manutenção é por fora. Isso é uma deficiência administrativa do governo. Então, assim, eu particularmente, acho que quem tem que tá muito mais preocupado com o aspecto criminal é o governo que é o executor e fiscalizador e não fez”, diz Moustafa.

É nesse aspecto que o médico informa que as ‘sobras’ são pagas como propinas para os servidores públicos e agentes políticos. Para se ter uma ideia, Mouhamad disse que o Estado do Amazonas atingiu 70% no Portal da Transparência, sendo que 60% é com a folha de pessoal. “Ou seja, eles declararam 10% só do que tem de contrato, o resto tá em ‘off’. Abertamente falando entendeu?”, indaga o médico em reunião que também foi gravada por Jenifer.

“Eu preciso, eu preciso conversar de uma maneira clara com todo mundo. Como eu falei, dá para trabalhar 100% correto? Dá! Só que quando a gente trabalha 100% correto, a mesma notificação que eu tô mandando hoje pra esterilização (notificação para trocar um contrato de outra empresa que fornecia a esterilização, para substituir pela Salvare), vão mandar pra mim dizendo que tão tirando um contrato, que para eu trabalhar 100% correto, eu não vou poder dar ‘Custo Político pra ninguém’”, justifica o médico.

O esquema foi desbaratado pela Operação Maus Caminhos, em setembro de 2016, que prendeu Moustafa. Hoje ele está em prisão domiciliar e vigiado por tornozeleira eletrônica. Também foram presos o ex-governador do Amazonas, José Melo (Pros), e cinco ex-secretários de Estado. Melo é suspeito, segundo a força-tarefa da ‘Maus Caminhos’, por receber propina do esquema de corrupção. A CGU avaliou que o ex-governador tem patrimônio incompatível com sua renda salarial, como uma mansão em Manaus avaliada em R$ 7 milhões e um sítio em Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros da capital). A mulher de Melo, Edilene Gomes de Oliveira, também foi presa por suspeita de envolvimento no caso.

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Assuntos Amazonas, Edilene Gomes de Oliveira, Instituto Novos Caminhos, José Melo, Maus Caminhos, Mouhamad Moustafa, Operação Estado de Emergência, Salvare, Susam, Total Saúde
Cleber Oliveira 8 de janeiro de 2018
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