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Alfredo Lopes

Bemol 75 anos, a saga da resistência*

14 de agosto de 2017 Alfredo Lopes
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Neste dia 13, há 75 anos, os filhos de Isaac Benchimol – um migrante hebreu cuja família viera do Marrocos, no Século XIX, em mais uma busca das promessas de prosperidade e liberdade, dessa vez amazônica – fundaram a Bemol. Originalmente chamada Benchimol & Irmãos, a empresa começou com Samuel, Israel e Saul Benchimol, com representação de produtos farmacêuticos, no espocar da II Guerra, e se credenciou a partir daí num empreendimento diferenciado e referencial no varejo regional de departamentos, no trato com os clientes e pela Ética do quadro de seus valores.

Atualmente, emprega diretamente mais de 2.000 colaboradores e, ano a ano, segue à frente na arrecadação fiscal do Estado, sendo pioneira no país pela certificação de qualidade no setor em que atua. É uma trajetória que resume e simboliza a saga amazônica de obstinação e superação da adversidade, que faz do tropeço, apogeu e quebra da economia, a teimosia que retoma a caminhada de reinvenção. Um emblema da resistência e enfrentamento da penúria focado na semeadura da transformação e na multiplicação dos talentos, como ilustra a parábola evangélica.

“ O Amazonas deixará de ser, afinal, um simples capítulo da história da terra e… tornar-se-á um capítulo da história da civilização…”. A profecia de Getúlio Vargas ainda ressoava nas conversas da confraria baré, e agitava os espíritos naquele longínquo agosto de 1942, um ano que descreve um tempo de agitação e mudanças. Com a eclosão da guerra, os japoneses, aliados da Alemanha e Itália, cortaram o fornecimento da borracha com o embargo dos seringais asiáticos, empurrando a Amazônia para um novo ensaio de prosperidade e esplendor. “De todos os materiais críticos e estratégicos, a borracha é aquele cuja falta representa a maior ameaça à segurança de nossa nação e ao êxito da causa aliada”, alertava o governo dos Estados Unidos para justificar substantivos investimentos, nos Acordos de Washington, para a reativação desesperada e atabalhoada do II Ciclo da Borracha na Amazônia.

Ainda era viva a saga do esplendor e depressão da economia do látex na memória dos Bechimol, cujos seringais do Rio Abunã, no Alto Madeira, fronteira com a Bolívia, foram perdidos na debacle que começou no início do século. Samuel Benchimol – que irá recompor essa história em diversos estudos e publicações – tinha então 19 anos, era despachante nos voos da madrugada na Panair do Brasil, frequentava o curso de Direito da Universidade do Amazonas, trabalhava à tarde na nova empresa e ainda dava aulas à noite de Economia Brasileira no Colégio Sólon de Lucena. “…fui pracista, vendedor, correspondente, caixa trapicheiro de minha própria organização, até alcançar a ger ência e montar uma estrutura organizacional de porte, após muitos anos de quotidiana e persistente atividade”, descreve em Amazônia, um pouco-antes e além-depois”, onde ele assinala os indicadores da economia em ascensão do Estado naquele momento. As exportações do Amazonas que beiravam os US$ 350 mil no final da década de 30, já alcança US$ 8 milhões em 1943, incluindo, além da borracha, uma robusta pauta de exportação onde figuravam itens da economia extrativa como o óleo essencial de pau rosa, madeira, castanha, fibras vegetais, resinas, peles de jacaré… A navegação fluvial, com a reativação da indústria naval e multiplicação das linhas de cabotagem e aeroviárias, tendo Manaus como eixo estratégico de negócios regionais e intercontinentais, confirmou, então, a vocação de oportunidades na logística dos transportes, como os ingleses e seus estaleiros do Reino Unido já haviam percebido décadas atrás.

A experiência de participar ativamente do novo – e fugaz – surto econômico da borracha levou Samuel a estudar Ciências Econômicas e Sociais na Universidade de Oxford, com apoio dos irmãos,  Saul e Israel, que seguiram no batente em Manaus. Ganhou uma bolsa para concluir seu Mestrado, com a tese, escrita e defendida em inglês, “Manaus, o crescimento de uma cidade no Vale Amazônico”. De volta a sua terra, a despeito do convite do governo americano, para lecionar na Universidade de Siracusa e avançar na carreira acadêmica, optou por retomar as trincheiras de luta, incessante e devotada, que descrevem sua história, compromisso, zelo e paixão, pela Amazônia e ajudam a compreender o alcance e o significado da celebração destes 75 anos da Benchimol & Irmãos.

(*) publicado em 12.08.2012

[email protected]


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas, Amazônia, desenvolvimento, Samuel Benchimol
Valmir Lima 14 de agosto de 2017
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