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Dia a Dia

Ministro da Saúde quer fim de prorrogação de prazo para vacinação

6 de junho de 2017 Dia a Dia
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Ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que há perdas de vacinas em campanhas de baixa adesão (Foto: Elza Fiúza/ABr)

 

Do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu nesta terça-feira, 6, o fim da prorrogação de campanhas de vacinação. A proposta deverá ser apresentada na próxima reunião com representantes de secretários estaduais e municipais de Saúde, ainda neste mês. A princípio, valeria para vacinas contra gripe e contra HPV. “É uma decisão inteligente, adequada. Vai fazer com que o público alvo se apresse a adquirir o direito privilegiado em relação aos demais cidadãos”, disse o ministro.

Leia mais

Sem alcançar meta, vacinação é prorrogada no Amazonas

Barros afirmou que a sucessiva prorrogação do prazo de campanhas leva a uma perda de vacinas. De acordo com ele, ‘milhões’ de doses já foram perdidas ao longo dos anos em virtude da baixa adesão. Nos últimos dois meses, o ministério vem demonstrando a preocupação com a redução da procura da população por vacinas ofertadas pelo programa nacional de imunização.

Na sexta-feira, 2, o ministério autorizou Estados e municípios a liberar a vacinação contra gripe para a população em geral, antes mesmo de o prazo da prorrogação da vacina terminar – o que ocorreria nesta sexta-feira, 9. Na data, havia 10 milhões de doses nos estoques.

A decisão irritou secretários estaduais e municipais de Saúde. Eles se queixam de que a mudança não poderia ter sido feita sem que eles fossem previamente consultados. Mais ainda, que era necessário esperar até sexta, a conclusão da prorrogação, para que qualquer alteração fosse anunciada. Justamente por isso, 12 Estados decidiram não atender a recomendação do ministério, entre eles São Paulo e Paraná. “A liberação da vacinação da gripe para população em geral foi uma decisão precipitada”, resumiu o presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Mauro Junqueira.

Ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, ele afirmou que uma reunião deverá ser feita com o ministério justamente para discutir o fato de os secretários não terem sido consultados. O ministro, no entanto, avaliou que a decisão ‘foi um sucesso’. “Vários Estados seguiram a orientação”, disse.

Como a reportagem mostrou nesta segunda-feira, 5, há ainda críticas do Conselho de Secretários Estaduais de Saúde e de especialistas. A liberação da vacina para a população em geral, sustentam, não resolve a baixa cobertura entre a população de maior risco para complicações da gripe. “A medida pode reduzir os estoques, mas não o número de mortes provocadas pela doença entre grupos mais vulneráveis”, disse o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Cláudio Maierovitch.

Para ele, a baixa cobertura vacinal deveria provocar uma reavaliação do sistema de saúde, em busca da identificação de falhas. “Os indicadores mostram uma falha na estratégia para se alcançar a população. É isso que tem de ser resolvido, não liberar a vacinação”.

A liberação da vacinação contra HPV é outra estratégia que poderá ser alvo de críticas. O ministro não descartou a possibilidade de que a estratégia seja adotada caso haja imunizantes próximos de vencimento.

A vacina, no entanto, tem indicações precisas. Ela não deve ser usada, por exemplo, para pessoas que já têm o vírus. Justamente por isso ela é recomendada para uma faixa etária mais jovem.

Fim da prorrogação de campanhas seria adotado já para vacinação contra o HPV e a gripe (Foto: ABr/Agência Brasil)

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Assuntos Ministério da Saúde, Ricardo Barros, vacinação
Cleber Oliveira 6 de junho de 2017
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