Agradecimentos sinceros e nosso adeus a Paulo Figueiredo

Paulo Figueiredo

Paulo Figueiredo sempre defendeu a liberdade de informação e era inquieto com o jornalismo burocrático (Foto: Valmir Lima)

MANAUS – Paulo Roberto de Moraes Rego Figueiredo era um apaixonado pelo bom jornalismo. Desde muito cedo, esteve envolvido com essa profissão. Foi articulista e editorialista em jornais do Rio de Janeiro e Manaus. Se orgulhava de ter criado o primeiro blog do Amazonas, o Blog do PF, que retirou do ar por um tempo e republicou em 2016.

Foi a paixão pelo bom jornalismo e a inquietação pelo jornalismo oferecido aos leitores amazonenses que o fez propor a mim, em meados de 2013, a criação de um veículo que veio a ganhar o nome de AMAZONAS ATUAL. Primeiro, ele propôs-me uma parceria para fazermos um blog que ocupasse o vácuo no jornalismo amazonense deixado pelos jornais impressos e sites existentes à época (eram poucos). O convenci de que o blog era muito pessoal para aquilo que queríamos fazer. Foi assim que discutimos a criação de um site de notícias e depois de queimar neurônios, definimos o nome.

Paulo Figueiredo e eu contratamos um profissional que fez o layout do site, hospedou e preparou tudo para que entrássemos no ar. Sem alarde, começamos a publicar matérias no dia 25 de novembro de 2013. Discreto, o advogado e escritor nunca quis aparecer. Contribuía com informações de bastidores da política, mas preferia manter o anonimato nos textos informativos. Assinava apenas um artigo semanal que escrevia, originalmente, para o jornal Diário do Amazonas.

O AMAZONAS ATUAL, portanto, foi uma ideia de Figueiredo. Além de contribuir financeiramente para iniciarmos o projeto, ele cedeu uma sala em um prédio comercial para as instalações do site, buscou ajuda de amigos que colaboraram financeiramente no início. Depois, preferiu se desvincular e manter apenas o artigo semanal. Nunca deixou de publicar seus textos uma semana, exceto quando esteve envolvido em uma campanha eleitoral. Ultimamente, mandava até dois artigos semanais; estava mais ativo do que nunca, até ser submetido a uma cirurgia que lhe levou ao coma e, dali, à morte.

Paulo Figueiredo foi muito além da advogacia. Era essencialmente um político, mesmo seu enveredar pelos pântanos da política partidária. Ocupou cargos públicos em secretarias, fez muitos amigos na política mas nunca abandonou sua veia critica, que era muito bem exibida nos textos que escrevia com esmero. Seu maior legado é o registro dos tempos da ditadura militar no Amazonas, relatado em artigos e que ganhou versão em livro – O Golpe Militar no Amazonas – Crônicas e Relatos –, lançado em 2014.

Pela grande contribuição que deu ao ATUAL, somos muitíssimo gratos. Nossos sinceros agradecimentos e nosso adeus a Paulo Figueiredo.

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