

Do ATUAL
MANAUS — A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “peça eleitoral irresponsável” uma reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9), que atribui ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro declarações sobre um suposto repasse de R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre Lula. A Polícia Federal informou que não recebeu depoimento, documentos ou informações com o conteúdo divulgado pela revista.
A reportagem, intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, afirma que o empresário teria destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para custear despesas de um documentário dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Segundo a publicação, o pagamento ocorreu em troca de facilitação de negócios junto a fundos de pensão federais.
A revista cita um áudio e anexos que, segundo a reportagem, foram elaborados pela defesa de Vorcaro como parte de uma proposta de colaboração premiada. A gravação divulgada tem 23 segundos e qualidade de áudio baixa. Nela, uma voz masculina, atribuída pela Veja ao ex-banqueiro, faz referência a pagamentos relacionados a produções audiovisuais sobre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na transcrição apresentada pela revista, Vorcaro teria afirmado que o dinheiro destinado ao documentário sobre Lula foi repassado “por fora”, enquanto o financiamento de uma produção sobre Bolsonaro teria ocorrido por meio de patrocínio regular.
A campanha de Lula contestou a publicação e afirmou que as acusações não têm comprovação. Para a coordenação, a reportagem teria como objetivo interferir na disputa presidencial e beneficiar o candidato Flávio Bolsonaro.
“A reportagem é uma peça eleitoral irresponsável baseada em outra peça eleitoral: o suposto depoimento de Daniel Vorcaro, construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário”, afirmou a coligação.
A campanha também questionou a existência do suposto depoimento. “Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa”, declarou.
Polícia Federal
Em nota divulgada nesta sexta-feira (9), a Polícia Federal esclareceu que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo relatado pela Veja e que a instituição não recebeu os materiais mencionados na reportagem.
“A Polícia Federal esclarece […] que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, informou.
A corporação confirmou que a defesa do ex-banqueiro apresentou propostas de colaboração premiada, mas explicou que elas não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. A decisão, segundo a PF, foi fundamentada e comunicada à defesa.
A instituição também informou que recebeu, nesta sexta-feira, uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação. O documento foi encaminhado à área técnica responsável pelas medidas de polícia judiciária.
O advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, disse ao UOL que o ex-banqueiro não prestou novo depoimento sobre o assunto à Polícia Federal ou a qualquer outro órgão.
“Eu não estava na defesa do Daniel Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração. O que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal ou qualquer outro órgão discorrendo sobre isso. Eu realmente desconheço tudo isso”, afirmou o advogado.
Instituto Lula
O Instituto Lula também repudiou as acusações e afirmou que não participou da produção nem da captação de recursos para o documentário dirigido por Oliver Stone.
Segundo a instituição, o filme é uma iniciativa exclusiva do cineasta, sem envolvimento financeiro do instituto.
“O Instituto Lula nunca participou da produção ou da captação de recursos para o filme e jamais recebeu qualquer valor destinado à sua realização”, informou, em nota assinada pela presidente Ivone Silva.
O instituto também negou qualquer relação entre seu diretor, Paulo Okamotto, e Daniel Vorcaro. Segundo o comunicado, Okamotto não conhece o ex-banqueiro, nunca esteve com ele e não participou de reuniões com o empresário.
A instituição classificou as acusações como falsas e afirmou que a reportagem representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral.
“Trata-se de mais uma armação da revista Veja para tentar interferir no processo eleitoral brasileiro por meio de acusações sem provas”, declarou.
PT acusa revista
Em manifestação divulgada após a reportagem, o Partido dos Trabalhadores também acusou a Veja de agir para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O partido afirmou que a publicação busca desviar a atenção das relações financeiras entre o senador e Daniel Vorcaro, mencionando negociações relacionadas a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A divulgação da reportagem ocorre após a publicação de informações pelo Intercept Brasil, em maio, sobre uma negociação envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro para financiar uma produção audiovisual sobre o ex-presidente.
Na nota, o PT afirma que Flávio Bolsonaro foi flagrado solicitando R$ 164 milhões a Vorcaro e sustenta que a reportagem da Veja busca confundir os eleitores. O partido também faz acusações de conluio entre o candidato, o ex-banqueiro e a revista, sem apresentar, no comunicado, comprovação dessas alegações.
“Não há nenhum registro na Polícia Federal dos conteúdos publicados agora pela revista Veja, nem qualquer delação que tenha sido aceita pelo Ministério Público. Portanto, trata-se de uma farsa”, afirmou o PT.
Ao final do comunicado, o partido estabeleceu uma comparação entre os governos de Jair Bolsonaro e Lula em relação à trajetória de Vorcaro.
“A verdade é que, durante o mandato do pai de Flávio Bolsonaro, Vorcaro virou banqueiro. No Governo Lula, virou prisioneiro”, declarou.
