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Economia

Petrobras raciona diesel com ‘cota-dia’ para evitar estoque por distribuidoras

10 de março de 2026 Economia
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Refinanria da Petrobras
Petrobras faz estoque de diesel (André Motta de Souza/Agência Petrobras)
Por Denise Luna, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – A Petrobras passou a aplicar o sistema de “cota-dia” para o diesel, que fraciona o volume mensal contratado pelas distribuidoras em remessas diárias, impedindo que empresas antecipem retiradas e formem estoques maiores às vésperas de um provável reajuste, informaram fontes ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O aumento do preço do diesel por causa da guerra no Oriente Médio suspendeu as importações do produto, colocando em risco o abastecimento do País.

Lida como um racionamento por parte dos distribuidores, a medida adotada pela Petrobras é usada em cenários de escassez e foi adotada após a disparada internacional do petróleo e a percepção de corrida de grandes consumidores para encher tanques enquanto o preço interno permanece defasado.

No fechamento do mercado de petróleo na segunda-feira (10), o diesel vendido no Brasil registrava defasagem de 60% em relação ao praticado no mercado internacional, abrindo espaço para a Petrobras elevar o preço do combustível em R$ 1,94 por litro.

Segundo fontes do setor, a petroleira estatal cobre apenas cerca de 70% da demanda nacional de diesel. O restante vem de importadores que suspenderam compras diante da diferença entre o mercado externo e o valor vendido no País.

“Na prática, a Petrobras está fazendo um tipo de racionamento diante do risco de crise”, afirma um executivo de distribuidora, em condição de anonimato.Com estoques privados estimados para no máximo 15 dias, o risco de falta de diesel começa pelas “pontas” do mercado, como Nordeste e Rio Grande do Sul, mais dependentes de volumes estrangeiros.

Refinarias privadas, como Ream, no Amazonas, e Mataripe, na Bahia, já repassaram altas sucessivas, mas a estatal mantém os preços congelados.Executivos e analistas defendem ajuste imediato para restabelecer a atratividade das importações e evitar problemas de suprimento. Caso o impasse persista, alertam, o racionamento informal tende a se intensificar e poderá chegar ao consumidor final.

TRRs

As empresa autorizadas a comprar combustível a granel (principalmente óleo diesel) e revender diretamente ao consumidor final, sem posto fixo, as chamadas TRRs (Transportador-Revendedor-Retalhista), que abasteçam fazendas, indústrias, construtoras e transportadoras já sentiram a falta do produto no mercado.

“O setor já sentiu o problema e a posição é tentar fracionar as entregas de forma a não deixar nenhum cliente sem produto. As regiões com agro acabam sentindo primeiro. Vale ressaltar que o TRR é abastecido pelas distribuidoras”, informou a assessoria do segmento, afirmando que o problema está bem distribuído, mas que o primeiro Estado a reclamar mais fortemente foi o Rio Grande do Sul”, afirmou.

Na segunda-feira, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou que recebeu informações sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. De acordo com a agência, no entanto, a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região, a Refap (Refinaria Alberto Pasqualini), da Petrobras.

Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um Estado que produz mais diesel do que consome, encontra-se com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto”, explicou a agência. Procurada, a Petrobras não havia retornado até o fechamento desta nota.

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Assuntos diesel, estoques, Petrobras, petróleo
Murilo Rodrigues 10 de março de 2026
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