

Do ATUAL
MANAUS – O número de mesários com deficiência aumentou 278% em oito anos em Manaus, passando de 18 nas eleições de 2018 para 68 neste ano, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Entre os novos participantes está Sheila Colares, de 41 anos, professora de Libras e assistente administrativa, que atua pela primeira vez como mesária com acompanhamento de intérpretes de Libras.
Sheila, que atuou na Escola Estadual Angelo Ramazzotti, no bairro Adrianópolis, relatou que havia tentado participar de eleições anteriores como mesária, mas não teve a oportunidade. Neste ano, viu nas redes sociais que poderia se cadastrar como voluntária, fez a inscrição e foi chamada para o treinamento. Para garantir a acessibilidade durante a preparação, três intérpretes de Libras acompanharam a atividade.
“Eu fiquei muito feliz porque foi garantida a acessibilidade. Então eu aprendi, eu tive a oportunidade de treinar, de ver como todo o processo acontecia e hoje eu estou aqui participando”, disse.
Durante a votação, Sheila atuou na identificação dos eleitores e na busca dos nomes no caderno de votação. Para ela, a participação representa a possibilidade de pessoas surdas ocuparem os mesmos espaços que os demais eleitores. “Os surdos precisam ter as mesmas oportunidades que os ouvintes têm na sociedade”, afirmou.
Crescimento
O número de mesários com deficiência em Manaus vem aumentando a cada eleição. Em 2018, eram 18. O total passou para 32 em 2022 e chegou a 68 em 2026.
De acordo com o TSE, entre 2018 e 2026, foram 50 mesários com deficiência a mais, crescimento de 277,8%. Na comparação com 2022, o aumento foi de 36 pessoas, ou 112,5%.
Nos três pleitos, os registros de Manaus indicam que os mesários com deficiência estavam na categoria de mesários requisitados. Não houve registro de pessoas com deficiência na outra modalidade apresentada pelo TSE.
Para Sheila, a experiência também mostra a importância de manter recursos de acessibilidade durante a votação. Ela defende a presença de intérpretes de Libras para facilitar a comunicação com eleitores surdos. “A minha dica é que sempre tenha intérpretes de Libras para atender os surdos, por exemplo, para que aconteça essa comunicação”, disse.
Ela também incentiva outras pessoas com deficiência a se voluntariarem para trabalhar nas eleições. “Eu quero avisar a todas as pessoas com deficiência que elas podem sim ser voluntárias, elas podem ser mesárias, porque nós somos iguais a todos os seres humanos”, afirmou.
Sheila diz que ficou satisfeita com a experiência e com a possibilidade de aprender e exercer a função. “Eu estou muito feliz, eu estou satisfeita, eu estou me sentindo realmente alegre porque eu aprendi rápido”, disse.
