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Mais de 10 mil km² foram desmatados na Amazônia entre 2018 e 2019, aponta Inpe

9 de junho de 2020 Dia a Dia
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Amazônia desmatamento
Mapa de calor das ocorrências de desmatamento identificadas no PRODES 2019, nas 229 cenas que compõem a Amazônia Legal Brasileira (Fonte: Inpe)

Por Phillippe Watanabe, da Folhapress

SÃO PAULO – O desmatamento na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 cresceu 34% em relação ao período anterior e superou a marca de 10 mil km² devastados, mostram os dados consolidados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), divulgados nesta terça-feira, 9.

No fim do ano passado, o Inpe já havia tornado públicos os dados parciais do desmatamento no bioma. As informações agora publicadas são as consolidadas e definitivas referentes ao período em questão.

O aumento de desmate observado é o segundo maior aumento percentual já registrado no bioma, ficando atrás somente do ano de 1995.

Além disso, os 10.129 km² destruídos são o recorde da década. Em 2008, o país teve números de desmate na Amazônia próximos a esse nível, mas havia uma tendência de queda. Agora, contudo, os dados apontam uma tendência de crescimento no desmate.

A explosão do desmatamento na Amazônia coincide temporalmente com o período eleitoral de 2018 e os primeiros seis meses do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Ainda durante a disputa presidencial, Bolsonaro, então candidato, criticava fiscalização do Ibama e dizia que o país tinha excesso de unidades de conservação e de terras indígenas.

Especialistas e entidades ambientais alertavam que esse tipo de discurso poderia incentivar crimes ambientais.

Além disso, dados do Deter (outro sistema do Inpe, mas com monitoramento em tempo real para embasar fiscalizações) do período eleitoral já apontavam crescimento do desmate na Amazônia, que costumam aumentar nos anos de eleição.

Já como presidente, o discurso antifiscalização ambiental de Bolsonaro não arrefeceu. Em momentos, já em 2019, em que dados de desmatamento e queimadas se mostravam elevados em comparação a anos anteriores, o presidente colocou em dúvida a veracidade das informações, que são fornecidas pelo Inpe.

Bolsonaro, para atacar os dados em questão, também chegou a sugerir que o então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, poderia estar a serviço de ONGs. Os ataques do presidente levaram à exoneração de Galvão.

Os grandes aumentos nas taxas de desmatamento do Deter posteriores a julho de 2019, ou seja, já referentes ao Prodes 2019-2020, apontam que a devastação para esse ano possa ser ainda superior à do ano passado.

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Assuntos Amazônia, desmatamentos na Amazônia, destaque, Inpe
Valmir Lima 9 de junho de 2020
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