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Economia

Maduro aumenta salários em 6.000% em novo plano econômico

19 de agosto de 2018 Economia
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Nicolás Maduro lança novo plano econômico na Venezuela para tentar salvar a economia (Foto: Freddy Zarco/Fotos Públicas)

Do Estadão Conteúdo

CARACAS – Negócios fechados, bancos com dificuldade para fazer transações e pessoas correndo para encontrar combustível no sábado, 18, eram sinais de pânico e ceticismo na Venezuela com as medidas do governo voltadas a estabilizar a economia. Na noite da sexta-feira, o presidente Nicolás Maduro elevou os salários em quase 6.000% e desvalorizou a moeda local, o bolívar, em 96%.

Maduro disse que ele mesmo foi o autor do plano. Nas ruas, porém havia pouco otimismo e ainda o temor de que as novidades acabassem de destruir o país, que enfrenta um quadro de recessão e inflação em patamares altíssimos. O tamanho da economia nacional já encolheu mais da metade desde a posse do atual líder em 2103.

A Venezuela enfrenta falta de alimentos, medicamentos e água potável, o que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir para países vizinhos desde 2014, de acordo com a Organização das Nações Unidas.

A desvalorização é a maior da história do país, segundo o grupo de pesquisas Síntesis Financiera. As medidas devem elevar a inflação para além da previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano, de 1.000.000%, disse Anabella Abadi, economista da consultoria ODH, sediada em Caracas.

Esta foi a quinta elevação do salário mínimo local neste ano, para o equivalente a cerca de US$ 30 ao mês, de US$ 1 por mês anteriormente. Os trabalhadores serão pagos com uma nova moeda, chamada bolívar soberano, que foi apresentada na semana passada e corta cinco zeros da moeda existente, o bolívar forte.

“Eu quero que o país se recupere e eu tenho a fórmula”, afirmou Maduro em rede de televisão. Para ajudar as pequenas empresas na transição, o governo pagará a diferença nos salários dos trabalhadores durante 9 dias. O presidente não deu, porém, detalhes sobre como esses desembolsos serão feitos, levando empresas a mostrar ceticismo.

Economistas temem que as medidas gerem mais inflação. O governo da Venezuela está em default de uma dívida de US$ 6 bilhões, enquanto as exportações recuam por causa da queda na produção de petróleo.

Maduro ainda disse que atrelará o valor do novo bolívar soberano ao petro, a moeda virtual lançada pelo governo mais cedo neste ano, que é atrelada ao petróleo. É difícil achar dinheiro, já que o governo não consegue imprimir notas suficientes para lidar com a alta inflação.

Maduro anunciou ainda que pretende cortar subsídios à gasolina, com a intenção de evitar o contrabando do combustível local para países vizinhos. Ele não especificou de quanto seria a alta na gasolina.

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Assuntos Nicolas Maduro, Venezuela
Cleber Oliveira 19 de agosto de 2018
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