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Economia

Inflação em junho foi a menor desde novembro de 2018, diz IBGE

10 de julho de 2019 Economia
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Inflação preços (Foto: Tânia Rêgo/ABr)
Queda de preços dos alimentos influenciou na inflação menor (Foto: Tânia Rêgo/ABr)

Por Nicola Pamplona, da Folhapress

RIO DE JANEIRO-RJ – Com queda nos preços dos combustíveis e dos alimentos, a inflação recuou em junho para 0,01%, 0,12 ponto percentual abaixo do registrado no mês anterior, informou nesta sexta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Foi a menor taxa de inflação desde novembro de 2018, quando a inflação fechou em queda de 0,21%. Segundo o IBGE, houve deflação em 7 das 16 cidades pesquisadas, inclusive São Paulo – em maio, haviam sido apenas duas. “Foi a sexta menor inflação para junho desde 1995”, disse o economista do IBGE Fernando Gonçalves. “É praticamente uma estabilidade. O cenário ainda é de famílias comprometidas com dívidas. O endividamento compromete as finanças das famílias e inibe o consumo”.

Em 12 meses, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a taxa de inflação oficial) ficou em 3,37%, a menor taxa desde maio de 2018. A meta do Banco Central para dezembro é 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Foi o segundo mês seguido de desaceleração, após um início de ano com o IPCA pressionado justamente por combustíveis e alimentos. Em junho, os grupos Alimentação e bebidas e Transportes tiveram deflação de 0,25% e 0,31%.

Os alimentos caíram pelo segundo mês consecutivo – em maio, o recuo foi de 0,56% – uxada por menores preços de frutas (-6,14%) e feijão carioca (-14,80%). Gonçalves diz que a queda é fruto da maior oferta dos produtos durante a safra. No início do ano, o feijão era um dos vilões da inflação.

A deflação do grupo dos transportes foi provocada por queda de 2,41% no preço dos combustíveis, com destaque para a gasolina (-2.04%), que teve a maior contribuição individual para a desaceleração da inflação em junho. Desde meados de maio, a Petrobras cortou os preços do combustível em sua refinaria quatro vezes, acompanhando a queda das cotações internacionais.

Já o grupo Saúde de cuidados pessoais teve a maior contribuição positiva, de 0,08 ponto percentual, com alta de 0,64% no mês, devido a aumento de 1,5% no item higiene pessoal. Entre os produtos, as passagens aéreas tiveram a maior variação no mês, de 18,90%. “Início de férias e Copa América podem justificar o aumento”, disse o economista do IBGE.

A sensação de inflação alta no primeiro trimestre contribuiu para os baixos índices de aprovação do governo Jair Bolsonaro. Segundo pesquisa Datafolha divulgada na última segunda-feira, 48% dos brasileiros esperam aumento dos preços. Este foi o maior motivo de apreensão dos entrevistados, acima desemprego.

Economistas, porém, vêm revendo para baixo suas expectativas para o fechamento do ano. O último relatório Focus do Banco Central aponta para 3,80%, 0,09 ponto percentual a menos do que um mês atrás.

A inflação de 12 meses teve grande recuo já em maio, quando caiu de 4,94% para 4,66%, com impacto também da retirada de maio de 2018 -naquele mês, o indicador foi bastante pressionado pela greve dos caminhoneiros que paralisou o país por duas semanas.

No primeiro semestre, a inflação brasileira acumulou 2,23%, contra 2,60% no mesmo período do ano anterior. Para 2020, o Banco Central perseguirá inflação de 4%, caindo 0,25 ponto percentual por ano até atingir 3,5% em 2022.

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Assuntos IBGE, inflação
Cleber Oliveira 10 de julho de 2019
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