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Economia

Estrangeiros retiraram US$ 3,1 bilhões de países da América Latina em 2017

5 de setembro de 2018 Economia
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‘Fuga’ de dólares aumentou nos países da América Latina no ano passado (Foto: Fotos Públicas / Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – A entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes recuou de US$ 13,7 bilhões em julho para US$ 2,2 bilhões em agosto, de acordo com o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês). Já nos países da América Latina, foi registrada a saída de US$ 3,1 bilhões no mês passado.

O relatório do IIF leva em conta recursos oriundos do mercado acionário, títulos de dívida e moedas. Em agosto, os mercados de ações se mostraram mais resilientes – com entrada de US$ 7 bilhões no período -, enquanto os mercados de dívida foram menos atrativos para os investidores, ao registrarem evasão de US$ 4,8 bilhões.

“Os fluxos na América Latina foram deprimidos devido à atual crise na Argentina, à incerteza política no Brasil e às preocupações com os laços comerciais entre Estados Unidos e China e em meio às negociações comerciais atuais (EUA-China e Nafta)”, aponta relatório. A organização diz ainda que o aumento das taxas de juros em solo americano e o enfraquecimento do complexo de moedas emergentes “diminuíram claramente o apetite por dívidas” desses países.

Álvaro Bandeira, economista-chefe da ModalMais, aponta que a saída de recursos é reflexo do aumento da aversão ao risco em meio à normalização da política monetária nos países desenvolvidos. “Em meio às turbulências no cenário externo, o investidor vai para onde acha mais seguro, para onde está a liquidez”, explica. “Aí o dólar sobe e desequilibra as moedas mais fracas – por isso, os emergentes sofrem mais”.

Apesar de a América Latina pesar negativamente no saldo de agosto, o IIF aponta que o fluxo de capital estrangeiro para países em desenvolvimento foi positivo impulsionado por entradas em ações chinesas. Regionalmente, a Ásia emergente atraiu o maior número de entradas de capital e dívida (US$ 8,4 bilhões), principalmente devido à China. Já os fluxos para a Europa emergente ficaram estáveis.

Brasil

O dado mais atual referente ao Brasil é relativo ao mês de junho. No segundo trimestre, o País teve uma das maiores desacelerações entre os emergentes, ao lado de Índia, Polônia, Argentina e Turquia. Entraram no País US$ 700 milhões, ante 11 bilhões no primeiro trimestre do ano. “No cenário doméstico, pesa a incerteza eleitoral, que aumenta a cautela dos investidores”, diz Bandeira.

O receio se reflete na Bolsa brasileira. No primeiro semestre, R$ 9,9 bilhões foram retirados da B3 por estrangeiros – o pior resultado registrado no período desde o início da série histórica, em 2004.

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Assuntos América Latina, Instituto de Finanças Internacionais
Cleber Oliveira 5 de setembro de 2018
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