
Do ATUAL
MANAUS – A Justiça do Amazonas autorizou nesta segunda-feira (28) a progressão de pena de Cleusimar Cardoso, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, condenada a 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico da substância cetamina. Ela deixa o regime fechado e passa para o semiaberto, com tornozeleira eletrônica e outras condições impostas pela Justiça.
A mudança foi liberada porque Cleusimar cumpriu os requisitos para a progressão. A Justiça corrigiu um erro em decisão anterior: o cálculo dizia que o benefício só valeria a partir de 28 de setembro de 2029, mas o correto era 28 de setembro deste ano.
Também entraram na conta 12 dias de remição, ganhos por atividades feitas em agosto deste ano: quatro dias pela leitura de um livro, sete pelos 21 dias trabalhados e um pelo Projeto Remicine. A decisão também registra que Cleusimar teve bom comportamento na prisão.
No semiaberto, ela terá que cumprir horários de recolhimento em casa e respeitar limites de circulação, além de usar a tornozeleira.
O caso
Cleusimar foi presa em maio de 2024, quando a filha Djidja Cardoso foi encontrada sem vida em casa. A causa da morte foi atribuída a abuso de cetamina, medicamento de controle especial. A partir daí, a Polícia Civil intensificou a investigação que resultou na Operação Mandrágora, sobre tráfico dessa substância.
O processo já havia sido sentenciado antes, mas os advogados dos réus alegaram que a defesa não teve condições adequadas de se manifestar durante a instrução. O Tribunal de Justiça do Amazonas acatou o argumento, anulou a decisão e mandou o processo voltar à 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas de Manaus para nova sentença.
Em julho deste ano, a juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante proferiu a nova decisão e condenou Cleusimar e o irmão de Djidja, Ademar Farias Cardoso Neto, a 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado, por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A responsabilidade criminal pela morte de Djidja é apurada em processo distinto.
A sentença também alcançou a ex-gerente do salão de beleza Verônica da Costa Seixas, condenada a 10 anos de reclusão; o veterinário José Máximo Silva de Oliveira, a 10 anos e 4 meses; o personal trainer Hatus Moraes Silveira, a 10 anos e 5 meses; Bruno Roberto da Silva Lima, ex-namorado de Djidja, a 8 anos e 6 meses; e Sávio Soares Pereira, a 9 anos de reclusão. Outras três pessoas foram absolvidas.
Segundo o Ministério Público, Cleusimar fazia parte do núcleo central do esquema, ao lado do filho Ademar e de Verônica. O trio teria usado a rede de salões de beleza e uma seita religiosa como fachada para fornecer a droga a funcionários, amigos e frequentadores, entre eles a própria Djidja.
Os advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros, que fazem a defesa de Cleusimar, já informaram que vão recorrer dessa nova condenação, por entender que a sentença não avaliou corretamente as provas do processo.
A progressão de regime não muda o andamento desse recurso. Enquanto Cleusimar passa a cumprir as regras do semiaberto, a defesa segue questionando a condenação e promete apresentar os argumentos para revisão no recurso de apelação.
