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Dia a Dia

AM lidera em casos de violência sexual contra mulheres entre nove estados

6 de março de 2026 Dia a Dia
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Indígena estuprada sucessivamente por presos em cadeia de Santo Antônio do Iça foi um dos casos registrados no Amazonas em 2025 (Foto: Divulgação/advogado de defesa)
Do ATUAL

MANAUS — O Amazonas registrou 353 casos de violência sexual contra mulheres em 2025, segundo o relatório “Elas Vivem: a urgência da vida”, da Rede de Observatórios da Segurança, divulgado nesta sexta-feira (6). O estado lidera em número de ocorrência eentre as nove Unidades da Federação monitoradas. Está à frente de São Paulo (191) e do Pará (123).

Foram registrados 961 casos de violência sexual nos nove estados analisados. O estudo reúne informações do Amazonas, além da Bahia, onde houve registro de 75 casos, Ceará (26), Maranhão (23), Pará (123), Pernambuco (53), Piauí (53), Rio de Janeiro (95) e São Paulo.

“Em um ano, os registros desses crimes saltaram de 602 para 961 casos nessas Unidades da Federação, um crescimento de 59,6%. Os números dos nove estados, em diferentes regiões do país, expõem a capilaridade da violência sexual”, cita trecho do relatório.

A pesquisa inclui também o perfil das vítimas. No Amazonas são majoritariamente crianças e adolescentes. Das 353 ocorrências de violência sexual/estupro no estado, 78,4% foram de meninas de 0 a 17 anos, entre as quais cinco eram indígenas.

O relatório cita ainda que “apesar das operações policiais, os crimes sexuais continuam incidindo de forma sistemática sobre a infância feminina”.

Outras formas de violência

Além dos casos de violência sexual, o relatório mostra que houve aumento expressivo de outros tipos de violência contra mulheres. O Amazonas passou de 604 registros em 2024 para 1.023 em 2025, um crescimento de 69,4% no período. É o segundo com maior número de registros de outros tipos de violência, atrás apenas de São Paulo (1.065).

O levantamento considera violência de gênero as agressões físicas, tentativas de feminicídio, tortura, agressão verbal e cárcere privado.

No estado ocorreram 383 tentativas de feminicídio em 2025. No conjunto dos estados analisados, o Amazonas aparece atrás apenas de São Paulo (553) e à frente do Pará (299) nesse tipo de ocorrências. Os casos de agressão verbal foram 165. Os registros de feminicídio são 26. Outros indicadores são 28 homicídios de mulheres e 27 casos de cárcere privado no estado. Segundo o relatório, 367 atos de violência foram cometidas por parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

“A esmagadora maioria das violências é perpetrada por cônjuges, ex-parceiros e familiares, cujas motivações mais recorrentes, como término de relacionamento, ciúmes e conflitos interpessoais, revelam a persistência de padrões possessivos sobre os corpos e as vidas femininas”, afirma Flávia Melo, antropóloga, pró-reitora de extensão da Universidade Federal do Amazonas e consultora do CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania).

Além dos números

O relatório registra que, embora o Amazonas apareça em indicadores oficiais com taxas menores de feminicídio, os dados sobre violência de gênero no estado revelam um cenário mais amplo e complexo.

Informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o estado registrou 26 feminicídios em 2025, número frequentemente citado por autoridades locais para sustentar a ideia de que o Amazonas seria relativamente seguro para as mulheres.

A pesquisadora Tayná Boaes cita, no entanto, que ao considerar outras classificações de mortes violentas de mulheres o próprio ministério contabilizou 45 casos no mesmo período, o que amplia a dimensão do problema.

Ela diz ser necessário considerar também outras formas de violência registradas nos estados monitorados. Segundo o estudo, a situação se manifesta de forma particularmente intensa em estados da região Norte, como Amazonas e Pará. “O discurso pautado exclusivamente no feminicídio tende a invisibilizar formas de violência não letais, mas profundamente enraizadas em relações desiguais de poder”, alerta Tayná Boaes.

O relatório também ressalta que a produção e a divulgação de dados são essenciais para ampliar a compreensão sobre o problema. “Produzir dados é desafiar narrativas e apreender que a ausência de mortes registradas não equivale à ausência de violência”.

O documento afirma ainda que é necessário avançar em instrumentos capazes de transformar os números levantados em estratégias concretas de proteção às mulheres, para além da lógica centrada apenas na sobrevivência das vítimas. “O crescimento coloca o estado no centro do debate, pois se equipara a São Paulo em números de violência de gênero, tendo uma população dez vezes menor”.

Para os pesuisadores da Rede de Observatórios da Segurança, os dados indicam que a violência contra mulheres continua sendo um problema estrutural e que exige políticas públicas voltadas à prevenção, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores. Foram registrados 4.558 casos.

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Assuntos Amazonas, estupros, manchete, Observatório da Segurança, violência contra a mulher, violência sexual
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