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Follow Up

‘A união é a nossa força!’

3 de abril de 2020 Follow Up
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Antônio Silva é presidente da Fieam (Foto: Fieam/Divulgação)

Conciliador e associativista por natureza e convicção, Antônio Silva é defensor eterno do entendimento como forma de equacionar problemas. Em artigo recente, no espaço semanal da indústria, surpreendeu a todos com um título radical: “Hora de escolher um lado”. Depois da leitura o radicalismo estava confirmado: “na briga entre China e Estados Unidos, disse ele, só há uma escolha, o Brasil!”. Nessa entrevista, Antônio Silva, presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas, busca apontar saídas para esse clima sombrio e preocupante do Coronavírus, e destaca, bem a seu estilo, nossa força é a união! Confira.

Follow-Up: Como você está enxergando o momento presente do agravamento da pandemia da covid-19 no Brasil e no Amazonas?

Antônio Silva: Estamos todos preocupados, não tenha dúvida, mas é de extrema importância olharmos o presente de olho no futuro, sem esquecer que o Brasil e o próprio Amazonas, no passado, mostraram sempre seu talento e determinação para enfrentar adversidades. Basta lembrar a pandemia do Cólera, nos anos 90. O Brasil recebeu felicitações públicas da Organização Mundial da Saúde.

FUP: O que significa olhar para o futuro a partir desta crise?

AS: Nada será como antes e iremos demorar a recuperar a rotina diária de antes da pandemia. Muito mais do que imaginamos. Por isso, precisamos refletir sobre as lições  que aprendemos nos momentos de adversidades. Vou dar dois exemplos que me vem à lembrança recente: em menos de um mês, vários atores se reuniram para responder a um dos mais cruciais obstáculos para tratar os pacientes da Covid-19, o ventilador mecânico. Senai, Fundação Paulo Feitoza, Samel e UEA deixaram o isolamento para se dedicar a achar soluções práticas e tecnológicas para a dor humana; Do mesmo modo, o Comitê Indústria ZFM – COVID-19, por Conferência Digital, com mais de 40 membros, está assumindo o protagonismo na crise, com sugestões junto ao poder público e partilha de ideias e experiências. Nunca mais deveremos abandonar essas lições. A união é nossa força. Cabe também repensar outra lição: a indústria do Brasil depende em 90% de insumos chineses.  Uma nova política industrial se impõe para romper essa perigosa dependência.

FUP: E a relação com o poder público local e federal?

AS: Reafirmam-se aqui as lições também nesta arena de debates e encaminhamentos. Algumas sugestões do nosso Comitê, para evitar o caos, foram acolhidas pelo poder público e isso mostra que nosso papel – de quem gera emprego, renda e receita pública – precisa ser valorizado. Afinal, os recursos dos cofres públicos se devem à roda da economia da qual fazemos parte. Se não produzimos, o comércio não vende, o governo não arrecada. Isso tem um nome: o caos. Por isso, o caminho é a interlocução construtiva. No âmbito local, temos interagido com o governo do Estado e a Prefeitura. E cada um tem feito seu papel, tanto o governador Wilson Lima como o prefeito Arthur Neto.

FUP: E qual sua opinião sobre isolamento horizontal e vertical?

AS: Responder sobre isso e tomar partido significaria leviandade de minha parte. Não sou infectologista. Sou administrador de empresas, minha colaboração é me juntar aos meus pares, empreendedores e colaboradores, para gerar sustento para a sociedade. Essa questão quem tem autoridade para responder é o especialista no assunto. Para ele, me compete dizer que se quebrar a economia, eles podem salvar vidas, mas muitas delas serão perdidas pela exclusão social, a fome e a violência.

FUP: Como você analisa essa politização da pandemia e quais os efeitos dessa atitude para a economia e para a sociedade?

AS: Nós empresários temos um partido sagrado, aliás dois, o Brasil e o Amazonas. Então não devemos nos meter nem nos diagnósticos médicos nem nas desavenças políticas. No máximo, podemos dizer que o Brasil precisa de sinergia, como pediu nesta semana o general Eduardo Villas-Bôas, preocupado com a mesma questão. Não quero dizer que os empresários devem ficar alheios à questão política. Afinal, ela está presente em tudo e as decisões com relação ao país se originam no arraial político. Nossa responsabilidade, em todas as áreas, é cuidar do país, essa crise é apavorante e precisamos unir todas as forças para contornar as sequelas que já estão por aqui. Falei há pouco das lições e citei a parceria com a Samel, a família Nicolau, Beto, Luiz, Ricardo, uma empresa amazonense, cada dia mais atuante e solidária, parceira da sociedade neste momento sombrio.

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Assuntos Antônio Silva, Cieam, Covid-19, Fieam, Zona Franca de Manaus
Cleber Oliveira 3 de abril de 2020
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