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zmanchete

ONU diz que responsabilidade por massacre em presídio de Manaus é das autoridades

3 de janeiro de 2017 zmanchete
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Corpos de detentos mortos durante a rebelião iniciada na tarde de domingo, 1° de janeiro (Foto: Reprodução)
Corpos de detentos mortos durante a rebelião iniciada na tarde de domingo, 1° de janeiro (Foto: Reprodução)

NOVA IORQUE – A Organização das Nações Unidas (ONU) pede que as autoridades do Amazonas investiguem de forma “imparcial e imediata” a morte de 56 detentos no Complexo Prisional Anísio Jobim, em Manaus, e alerta que a responsabilidade pela situação dos prisioneiros é sempre das autoridades. “Pessoas que estão detidas estão sob a custódia do Estado e, portanto, as autoridades relevantes carregam a responsabilidade sobre o que ocorre com elas”, disse a ONU em um comunicado.

A entidade considera positivo o anúncio do governo do Amazonas de criar uma força-tarefa para “investigar a rebelião e mortes no Complexo Prisional Anísio Jobim”. Mas também “apela para que isso leve a uma investigação imediata, imparcial e efetiva dos fatos”. Para a ONU, essa investigação deve levar “os responsáveis à Justiça”.

Porém, apenas punir aqueles que cometeram os atos não seria suficiente. “Estados precisam garantir que as condições de detenção sejam compatíveis com a proibição da tortura e um tratamento degradante, cruel e desumano”, disse a entidade. “Essas condições precisam também ser compatível com o direito de todas as pessoas presas de ser tratadas com humanidade e com respeito à sua dignidade inerente”.

A ONU ainda lembrou que, em uma decisão ainda de 1992, o Comitê de Direitos Humanos declarou que esse tratamento humano deve ser a base de aplicação em todos os países e em todas as condições. Alegar falta de recursos materiais em um determinado local não pode ser usado como argumento, e o padrão deve ser adotado “sem discriminação”.

Críticas ao sistema penitenciário. Não é a primeira vez que a ONU critica o sistema prisional brasileiro. Visitas realizadas por relatores da entidade concluíram em 2016 que a número de mortes dentro das prisões era “muito elevada”.

Usando dados do Infopen, o ex-relator Juan Mendez apontou que 545 mortes foram registradas na primeira metade de 2014, com cerca de metade sendo intencional. A taxa é de 167,5 por cada 100 mil pessoas por ano. Outro aspecto denunciado é o das prisões. “Condições de detenção são equivalentes a um tratamento cruel, desumano e degradante”, disse Mendez. “Superlotação severa leva a uma condição caótica dentro das instalações”.

Mendez visitou a prisão de Pedrinhas, no Maranhão, e constatou uma situação “explosiva”. “As unidades estão superlotadas, e prisioneiros ficam de 22 a 23 horas por dia fechados em suas celas. Visitas ocorrem em condições humilhantes, e alimentos e remédios são inadequados. A presença de guardas fortemente armados dentro do local também poderia levar à uma nova rodada de mortes”.

Para a ONU, não será construindo novas prisões que o Brasil vai resolver seu problema. Segundo a entidade, o País tem a quarta maior população carcerária do mundo, com 711 mil pessoas. Há 30 anos, a população era de 60 mil. Entre 2005 e 2012, a alta foi de 74% e 60,8% dos prisioneiros eram de descendência africana. “Apesar de investimentos do governo de R$ 1,2 bilhão para criar uma capacidade adicional de prisões, o aumento contínuo de detentos criou um sistema penitenciário marcado por uma superlotação endêmica”, escreveu Mendez.

Mendez pede que o governo foque suas atenções em reduzir a população carcerária, e não aumentar prisões. Para isso, sugere medidas alternativas.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Amazonas, Compaj, ONU
Cleber Oliveira 3 de janeiro de 2017
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2 Comments
  • Antônio Davi Roland de Brito disse:
    3 de janeiro de 2017 às 16:04

    Falar é fácil . Por que a ONU não vem aqui colocar isso em prática?

    Responder
  • Mirtes disse:
    3 de janeiro de 2017 às 22:50

    Já houve um trabalho de prevenção que foi ignorado.

    http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/03/politica/1483479906_807653.html

    Este ministro, ou algo parecido, já foi defensor de facção.

    Responder

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