
Por Maria Derzi, da Redação
MANAUS – Na segunda fase da operação Darknet, de combate a crimes de pornografia infantil na chamada Deep Web, uma pessoa foi presa em Manaus, na manhã desta terça-feira, 22. A identidade do suspeito não foi revelada pela Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas. A ação da PF ocorreu em 15 Estados e investiga a participação de 67 pessoas que trocavam e distribuíam fotos e vídeos com conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes.
Foram cumpridos 70 mandados de prisão, busca e apreensão. Também foram cumpridas ordens judiciais para evitar possível abuso sexual a crianças nos Estados do Paraná, Distrito Federal e Rio de Janeiro. A ação ocorreu no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Pará.
Em Porto Alegre (RS), o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, Elton Roberto Manzke, e o delegado Fernando Casarim, da Delegacia de Defesa Institucional, explicaram como os pedófilos agem. “É preciso entender a diferença entre a Deep Web e a Darkweb. A Deep Web foi originalmente criada para a utilização de sites invisíveis, que não aparecem em sites de busca. Nela, circulam todo e qualquer documento, de forma segura, que necessariamente não são ilícitos. Na Deep Web existe a Dark Web, na qual o conteúdo e todas as páginas são anônimas e criptografadas. É utilizada por hackers, criminosos que se aproveitam da criptografia para cometer delitos”, explicou Elton Manzke. “E para usar a Dark Web é necessário usar um navegador específico, o Thor, que é identificado por uma cebola, que tem várias camadas significando que a internet tem várias camadas. A Dark Web é a mais profunda e escondida delas. Esse programa garante o anonimato e a criptografia. E foi esse software que nós investigamos”, disse Manske.
Já Fernando Casarim explicou que foi desenvolvida uma ferramenta para identificar os usuários anônimos e rastrear os conteúdos. “Desenvolvemos uma ferramenta que permitiu saber quem eram esses usuários, analisar as informações trocadas por eles e rastrear esse material. Essa ferramenta nos possibilitou, na linguagem jurídica, identificarmos a autoria e materialidade do delito, ou seja, descobrimos os usuários que produziam pornografia infantil na Dark Web e que participavam de fóruns temáticos de pornografia infantil para divulga-lo”, disse.
Casarim comentou que existem quatro tipos de criminosos. “Temos pessoas que são consumidores, pessoas que trocam o material e produtores do material. Também identificamos alguns criminosos abusadores, por isso vimos a necessidade de mandados de prisão para evitar que o abuso fosse cometido”, disse.
A PF no Rio Grande do Sul infiltrou um policial com autorização da Justiça entre os usuários da Dark Web. “Esse é um trabalho que já é desenvolvido pela Scotland Yard, FBI e polícia federal australiana”, disse.
Na primeira fase da operação, realizada há dois anos, foram cumpridos 91 mandados de busca, quatro de prisão e aconteceu em 18 Estados. Também foram presos 11 suspeitos em seis países: Portugal, Espanha, Venezuela, Itália, Colômbia e México.
O superintendente da PF no Amazonas, Marcelo Rezende, disse que não falaria sobre o caso.
