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Estupro: 42% dos homens culpam a mulher, revela pesquisa

21 de setembro de 2016 Dia a Dia.
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Protesto de mulheres contra a violência, em São Paulo. Combate ao estupro (Foto: Divulgação)
Protesto de mulheres contra a violência, em São Paulo. Combate ao estupro (Foto: Divulgação)
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SÃO PAULO – O Brasil tem quase 50 mil casos de estupro por ano e um terço (33,3%) da população acredita que a culpa é da vítima. De acordo com a pesquisa inédita encomendada ao Datafolha pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 42% dos homens acreditam que o estupro acontece porque a mulher não se dá ao respeito e/ou usa roupas provocativas. Ainda mais alarmante é o fato de 32% das mulheres concordarem com a afirmação. “A mulher em hipótese alguma pode ser criminalizada. Ela é vítima, sempre, não ré! Essa cadeia de pensamento precisa ser rigorosamente combatida na nossa sociedade. E preparar melhor policiais e agentes da Justiça para apurar esses crimes têm que ser agenda prioritária”, alerta Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do FBSP.

A pesquisa também revelou que 65% dos brasileiros temem ser vítima de violência sexual. O medo é mais intenso entre as mulheres, atingindo 85% das brasileiras. O porcentual também varia de acordo com a região, chegando a 87,5% das mulheres no Norte e 90% no Nordeste. No Centro-Oeste e no Sudeste, 84% das mulheres afirmam ter esse medo e no Sul, 78%.

Uma luz no fim do túnel

As pessoas mais novas, com menos de 60 anos, tem um olhar menos preconceituoso e não tendem a culpar as vítimas. Por exemplo, a pesquisa mostra que 44% dos brasileiros com 60 anos ou mais acreditam que uma mulher que use roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada. A firmação é considerada verdade apenas por 23% dos brasileiros com idade entre 16 e 34 anos.

A educação também é um diferencial importante e uma pista para transformar a realidade brasileira. Enquanto 47% das pessoas que cursaram o ensino fundamental acreditam que são estupradas mulheres que não se dão ao respeito, apenas 19% daqueles que cursaram o ensino superior compartilham da mesma visão. Um dado positivo, que indica um futuro mais promissor em relação à conscientização da não violência contra a mulher, é o fato que 91% dos brasileiros acreditam que temos que ensinar meninos a não estuprar.

Atuação policial

A pesquisa indica, ainda, que 51% dos brasileiros acreditam que a Polícia Militar não está bem preparada para atender mulheres vítimas de violência sexual, 42% acredita que a Polícia Civil não está preparada e 53% da população acredita que as leis protegem os estupradores.

De acordo com Samira Bueno, diretora executiva do FBSP, um dos motivos para esta avaliação se dá porque a política de segurança pública para esta área está focada em ampliar o acesso às Delegacias de Defesa da Mulher ao invés de enfrentar os desafios específicos desse atendimento e treinarem as forças policiais como um todo para realiza-lo. “As Delegacias de Defesa da Mulher são estruturas importantes no campo da segurança pública, mas insuficientes para atender a demanda se considerarmos os números de vítimas de violência doméstica e sexual no Brasil. Temos que qualificar todos os policiais”, afirma.

Lima explica que, do ponto de vista do financiamento da polícia, é impossível pensar em delegacias e equipes especializadas da PM operando em todos os municípios brasileiros. “É necessário pensarmos em protocolos de atendimento em todas as estruturas policiais, de modo a aprimorar o acolhimento às vítimas nestas instituições”, afirma Samira.

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Assuntos Datafolha, estupro, FBSP
Cleber Oliveira 21 de setembro de 2016
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