
Por Flávia Said e Renan Monteiro, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – A ex-senadora e ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) disse nesta terça-feira (27), que é possível cortar gastos sem retirar direitos, repriorizando as despesas. Ela defendeu a revisão de gastos, com atualização de políticas públicas que hoje não fazem mais sentido.
“O Brasil, lamentavelmente, tem gordura de sobra. Lamentável porque a gordura é sempre pelo lado ruim, que vai da corrupção à sua negação, a gastos tributários, alguns deles não se justificam mais”, afirmou Tebet em entrevista à GloboNews.
“A revisão de gastos é repriorizar gastos, é fazer cortes onde é possível e é possível cortar sem tirar direitos. Eu sempre digo que o Brasil cabe no orçamento brasileiro”, disse Tebet.
Segundo ela, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou que buscará governar de forma diferente, mas disse que o problema é que é preciso lidar com desperdícios, privilégios, corrupção e emendas parlamentares bilionárias. “Governar diferente é repriorizar gastos para investir onde as pessoas realmente estão considerando essenciais”, completou.
Tebet foi ministra do Planejamento entre 2023 e março de 2026, quando se desincompatibilizou do cargo para disputar o Senado por São Paulo, mas terminou em terceiro lugar e não conseguiu se eleger.
Endividamento das famílias
Sobre o endividamento das famílias, Tebet sustentou que parte dele se deve à liberação das bets no País sem a devida regulamentação, aliada ao crédito facilitado por fintechs, problema que ela colocou na conta do Banco Central (BC).
“Aí eu culpo, sim, o Banco Central. Há uma omissão que precisa ser analisada, que começou na gestão passada, e olha que eu reconheço e gosto do Roberto Campos ex-presidente do BC, ele sabe disso, porque a gente se fala de vez em quando”, afirmou.
“Também tenho meu carinho especial pelo (Gabriel) Galípolo, mas acho que o Banco Central não percebeu. Tinha que ter percebido que as pessoas estavam se endividando, porque fintechs e determinados bancos começaram a distribuir, ao invés de ser quem quer dinheiro, quem quer cartão, e era o cartão rosa, é o cartão roxo, é o cartão black”, acrescentou.
“(O endividamento das famílias) tem a ver, sim, com o problema fiscal, mas o principal do endividamento num país de absoluto emprego, de alto emprego, com o salário mínimo crescendo acima da inflação, eu acho que tem a ver com o crédito facilitado e tem a ver com bets”, concluiu.
