

Por Teófilo Benarrós de Mesquita, especial para o ATUAL
MANAUS — O caso da menina Ana Clara, morta por um policial militar no Rio de Janeiro em fevereiro de 2021 com um tiro de fuzil no peito, foi tema no debate sobre segurança pública, nesta sexta-feira (23), realizado pela TV Globo.
Questionado por Lula (PT) porque defendeu o PM, Flávio Bolsonaro (PL) disse que irá procurar saber “quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda”.
Flávio Bolsonaro é responsabilizado pela equipe de campanha de Lula e por Cristiana Gomes da Silva, mãe da menina morta, de agir, na condição de senador, para evitar o julgamento em duas ocasiões, a mais recente na quarta-feira, dia 21 de outubro.
Cristiane estava na plateia durante o debate, ocupando lugar na primeira fila. Flávio se dirigiu a ela pelo nome da filha. “Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12. Eu quero ajudar a senhora…. Era uma troca de tiros, uma comunidade deflagrada. A senhora sabe que tem o tráfico de drogas aí”, afirmou Flávio.
Ao ser tratada por “Ana Clara” pelo candidato Flávio Bolsonaro, Cristiane gritou em resposta: “ela está morta”.
Em depoimento após o debate, Cristiane disse que Flávio “não respondeu porque defendeu o assassino da minha filha. Ele inventou um confronto ali como o policial inventou no dia”.
“Ele nem sabe da história. Ele assinou só para o júri não acontecer”, disse Cristiane em protesto contra a resposta do candidato do PL. Ela lembrou que a perícia da Polícia Civil no local atestou que não houve troca de tiros.
De acordo com a mãe de Ana Clara, “um policial subiu atirando e baleou minha filha, na porta de casa. Não tinha ninguém [em confronto com a polícia] e isso foi comprovado pela perícia”.
Cristiane disse que Flávio “não teve um pingo de empatia e é um monstro, um monstro assim como o assassino da minha filha”. Ela afirma que Flávio Bolsonaro anulou o julgamento duas vezes, só esse ano. “Foi remarcado, para o dia 5 de maio de 2027”.
Marcelo Freixo (PT/RJ), eleito deputado federal em 4 de outubro, também se manifestou após o debate, ainda nos estúdios da TV Globo. “É importante dizer que esse policial ficou preso por 8 meses. A Polícia Civil do Rio de Janeiro entendeu que não houve troca de tiros. Foram somente dois policiais na “operação”. Que troca de tiros foi essa? Não era uma operação, com dois policiais; e um deles foi preso”.
Freixo disse também que Flávio “nunca ligou para Cristiane e vem agora dizer que vai descobrir… Tem cinco anos…”. Enquanto aguardava o início do debate, Cristiane publicou uma foto em rede sociais, ao lado de Freixo, com a legenda “Flávio nunca me procurou. Vim até ele”.
