
Do ATUAL
MANAUS – A cidade Manaus completa 357 anos neste sábado (24) com uma história de diversidade cultural, rico patrimônio arquitetônico e pela relação singular com a floresta amazônica. Com mais de 2 milhões de habitantes, a capital amazonense enfrenta desafios urbanos para se tornar uma cidade mais sustentável, inclusiva e que atenda às necessidades de mobilidade dos cidadãos.
Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, professora, conselheira e vice-presidente do CAU-AM (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas), o aniversário da capital é uma oportunidade para discutir propostas que conciliem crescimento econômico, preservação ambiental e qualidade de vida para a população.
Melissa afirma que Manaus passou por profundas transformações. O ciclo da borracha contribuiu para a expansão da cidade e a formação de um importante patrimônio arquitetônico, enquanto a implantação da Zona Franca ampliou sua relevância econômica e intensificou o processo de urbanização.
Apesar dessas conquistas, o crescimento também evidenciou problemas relacionados ao saneamento básico, à mobilidade urbana, à habitação e à preservação ambiental. Para a arquiteta, o desenvolvimento econômico precisa ser acompanhado de planejamento e políticas públicas que garantam melhores condições de vida aos moradores.
“Não precisamos adaptar a Amazônia a modelos de cidade, precisamos adaptar o planejamento à realidade amazônica”, defende Melissa, ressaltando a importância de soluções compatíveis com os rios, o clima, a floresta e a diversidade sociocultural da região.
Prioridades
Entre as prioridades para Manaus, a arquiteta cita a prevenção de alagamentos, a ampliação da arborização, a proteção dos igarapés e a recuperação de áreas degradadas. Ela também destaca a necessidade de preparar a cidade para os efeitos das mudanças climáticas, considerando os períodos de estiagem, as temperaturas elevadas e os impactos da fumaça provocada pelas queimadas.
Outro desafio é reduzir as desigualdades territoriais, ampliando o acesso à habitação digna, à infraestrutura e aos serviços públicos. Na mobilidade, Melissa defende a integração entre transporte coletivo, circulação de pedestres, ciclovias e acessibilidade, com foco nas necessidades cotidianas da população.
A urbanista afirma que é fundamental que Manaus avance de uma atuação concentrada em medidas emergenciais para uma política urbana preventiva e integrada. Isso significa planejar a expansão da cidade, identificar áreas de risco, orientar os investimentos e articular ações de habitação, saneamento, mobilidade e meio ambiente.
A preservação do patrimônio histórico, especialmente no Centro de Manaus, também deve fazer parte dessa agenda. Segundo a arquiteta, conservar a memória da capital vai além de proteger edificações antigas. “É necessário recuperar imóveis, valorizar os espaços públicos e manter esses ambientes vivos e acessíveis à população”.
Melissa ressalta ainda que o planejamento precisa estar vinculado ao orçamento público, a metas e a mecanismos de acompanhamento, além de contar com a participação dos moradores, das universidades e das entidades profissionais nas decisões sobre o futuro da cidade.
Futuro
Melissa Toledo defende que reconhecer a história da cidade também significa enfrentar suas fragilidades e valorizar suas potencialidades. Para ela, a riqueza ambiental, cultural e econômica de Manaus precisa se traduzir em benefícios concretos para quem vive na capital.
A construção desse futuro exige continuidade administrativa, capacidade técnica, cooperação institucional e decisões orientadas pelo interesse coletivo. Mais do que grandes obras, a cidade precisa de planejamento permanente, prevenção de riscos e políticas públicas capazes de responder às particularidades do território amazônico.
“Amar Manaus também significa reconhecer suas fragilidades, defender suas potencialidades e assumir a responsabilidade de transformá-la”, afirma a arquiteta.
Aos 357 anos, Manaus celebra sua história e renova o desafio de planejar o presente para construir uma cidade melhor para as próximas gerações.
