

Por Letícia Fernandes, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Os 21 governadores eleitos no primeiro turno receberam um total de R$ 184,6 milhões em doações para as campanhas eleitorais. O valor está discriminado nas prestações de contas apresentadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até a segunda-feira (18).
Ao cruzar os montantes repassados a cada candidatura com o número de eleitores conquistados, O Estadão constatou que os votos “mais caros” do país foram registrados nos menores Estados.
Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito para comandar São Paulo, maior colégio eleitoral do país, teve em números absolutos a campanha mais cara. Proporcionalmente, porém, o voto de custo mais elevado foi para eleger Arthur Henrique, do PL, em Roraima, menor colégio eleitoral do Brasil.
A campanha vitoriosa em São Paulo recebeu R$ 30,5 milhões em doações. Foram 14,4 milhões de votos a um custo individual de R$ 2,10, o quarto mais barato do país.
Em Roraima, o voto em Arthur Henrique saiu por R$ 11,73. Ele recebeu um total de R$ 2,5 milhões em doações, e foi eleito com 220,8 mil votos. Procurado, o governador eleito não se manifestou.
Votos mais caros
No Amapá, segundo menor colégio eleitoral do país, eleger Dr. Furlan (PSD) teve o segundo maior custo, R$ 9,76 por voto. Ele recebeu R$ 2,7 milhões em doações, e venceu a disputa com 281,5 mil votos.
Procurado pelo Estadão, Furlan disse que “a campanha observou as regras eleitorais aplicáveis, respeitando o teto de gastos e as normas de arrecadação e utilização dos recursos”. Também afirmou que é preciso levar em conta “as particularidades territoriais do Amapá, onde os desafios de deslocamento e acesso às comunidades influenciam diretamente a logística de uma campanha eleitoral”.
O terceiro voto mais caro, segundo critério usado pelo Estadão, foi o que elegeu o governador de Sergipe, Fabio Mitidieri (PSD), R$ 9,08. Em seguida veio Marcos Rogério (PL), eleito em Rondônia, com R$ 8,86 o voto. Os Estados são, respectivamente, o sexto e quinto menores colégios eleitorais do País. Procurados, os políticos não se manifestaram.
Votos mais baratos
A campanha que custou menos dentre todos os mandatários eleitos no primeiro turno foi a do senador Cleitinho (Republicanos), vencedor na disputa ao governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O mineiro recebeu R$ 1,2 milhão em doações de campanha e conquistou 6,3 milhões de votos, um custo de R$ 0,19 por voto.
A segunda disputa eleitoral mais barata foi a que elegeu o governador Dr. Daniel (Podemos), no Pará, a um custo de R$ 1,25 por voto.
Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral, Jerônimo Rodrigues, do PT, gastou R$ 7,3 milhões, mas recebeu 4,6 milhões de votos. O voto por pessoa custou R$ 1,58, o terceiro mais barato.
Quanto custou cada voto dos 21 governadores eleitos:
- Arthur Henrique (PL), em Roraima: R$ 11,73 por voto;
- Dr. Furlan (PSD), eleito no Amapá: R$ 9,76 o voto;
- Fábio Mitidieri (PSD), governador eleito de Sergipe: R$ 9,08 por voto;
- Marcos Rogério (PL), eleito governador de Rondônia: R$ 8,86 o voto;
- Otaviano Pivetta (Republicanos), eleito em Mato Grosso: R$ 6,83 por voto;
- JHC (PSDB), eleito em Alagoas: R$ 6,53 por voto;
- PB: Lucas Ribeiro (PP) → R$ 5,18 o voto;
- PI: Rafael Fonteles (PT) → R$ 4,95 o voto;
- CE: Elmano de Freitas (PT) → R$ 4,57 o voto;
- MS: Eduardo Riedel (PP) → R$ 4,38 o voto;
- GO: Daniel Vilela (MDB) → R$ 4,36 o voto;
- PE: Raquel Lyra (PSD) → R$ 4,30 o voto;
- RJ: Douglas Ruas (PL) → R$ 4,29 o voto;
- PR: Sergio Moro (PL): → R$ 4,15 o voto;
- MA: Eduardo Braide (PSD) → R$ 3,67 o voto;
- RS: Zucco (PL) → R$ 3,43 o voto;
- SC: Jorginho Mello (PL) → R$ 2,68 o voto;
- SP: Tarcísio de Freitas (Republicanos) → R$ 2,10 o voto;
- BA: Jerônimo Rodrigues (PT) → R$ 1,58 o voto;
- PA: Dr. Daniel (Podemos) → R$ 1,25 o voto;
- MG: Cleitinho (Republicanos) → R$ 0,19 o voto.
O que disse o governador do Amapá
Em nota, Dr. Furlan, eleito no Amapá, alegou que “levar a campanha aos diferentes municípios e comunidades, garantindo presença, diálogo e acesso da população ao candidato, envolve custos que não podem ser analisados exclusivamente pela relação entre o total de despesas e o número de votos recebidos”.
Ele afirmou ainda que se manteve dentro do limite de gastos estabelecido pelo TSE. “É importante destacar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu o limite legal de gastos para a disputa ao Governo do Amapá em R$ 3.557.761,23 no primeiro turno. A campanha observou as regras eleitorais aplicáveis, respeitando o teto de gastos e as normas de arrecadação e utilização dos recursos”.
