
MANAUS – Este título foi retirado do livro publicado em 2018 a partir de entrevistas de Luiz Inácio Lula da Silva. O título fala da certeza interna que Lula tinha sobre a sua libertação da prisão, em Curitiba. Ele tinha consciência da sua inocência em relação aos crimes que lhe haviam imputado, mas essa certeza também advinha do fato de que o seu julgamento estava eivado de ilegalidades e interesses políticos que depois foram manifestados publicamente.
De fato, depois de 580 dias de prisão Lula foi libertado e a sua esperança realizou-se, demonstrando que a verdade realmente tem a última palavra e prevalece sobre a mentira.
A partir de então Lula retornou a atividade política que ele sempre realizou ao longo da sua vida e na qual se tornou um mestre admirado nas esferas nacional e internacional. Ao ser libertado em novembro de 2019, Lula se deparou com um Brasil decadente, governado por Jair Bolsonaro: altos índices de devastação ambiental, elevados indicadores de fome e pobreza, significativos percentuais de desemprego, sinais evidentes de falência na maioria dos serviços públicos como saúde, educação, moradia, saneamento e transporte.
Ao sair da prisão, Lula encontrou uma democracia instável e desmoralizada, uma vez que o presidente de plantão tinha fortes vieses autoritários que o levava a intensos conflitos com os profissionais da comunicação, com os trabalhadores e com os outros poderes da República: o Legislativo e principalmente o Judiciário.
Os setores que gozavam de atenção eram as forças armadas e militares, o agronegócio, o mercado financeiro, os bancos, as grandes empresas e os super ricos. O Brasil se reduzia a essas classes privilegiadas enquanto a maioria da população era tratada com desprezo.
O Brasil é grande e precisava ser reconstruído. Lula se colocou a disposição para essa empreitada, retomando a luta política e sendo reeleito para liderar o Brasil rumo à superação. Os últimos quatro anos foram marcados pela reconstrução nacional. O país iniciou um processo de resgate da sua cidadania, recobrando o respeito internacional e a estima mundial.
A pobreza começou a diminuir, o desemprego sofreu forte queda, as políticas sociais foram retomadas e ampliadas, o meio ambiente se tornou preocupação de Estado, a saúde saiu da UTI, a educação recebeu grandes investimentos, a escala 6X1 foi abolida oferecendo mais tempo aos trabalhadores para o sagrado descanso. O país retomou o caminho da reconstrução se tornando o Brasil de todos os brasileiros.
Nestas eleições, novamente o Brasil passa por uma prova de fogo, tendo que decidir entre o caminho da reconstrução ou caminho da demolição. A família Bolsonaro novamente procura se apropriar do Brasil para reduzi-lo às classes privilegiadas, empurrando novamente o meio ambiente e os mais pobres para a zona de esquecimento.
Sem ética e transparência, essa família ameaça Programas Sociais como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia. A possiblidade da fome generalizada ronda novamente todo o território brasileiro. A Arte, a Educação, a Saúde, as Cidades e o Sertão temem pelo futuro.
O domínio das milícias, a corrução escancarada, a violência e a violação dos direitos fundamentais, o desrespeito a Constituição da República e a colonização norte-americana são alguns dos fantasmas que ameaçam o futuro próximo do Brasil. Embora a mentira e a manipulação sejam as principais estratégias políticas dos Bolsonaro, o poder da verdade novamente se torna o nosso grande trunfo.
Em 2019, Lula viveu essa experiência, vendo a verdade vencer a mentira. Com a força eleitoral dos brasileiros e das brasileiras, novamente veremos a verdade se impor para salvar a nossa democracia e o nosso futuro.
Sandoval Alves Rocha é doutor em Ciências Sociais pela PUC-RIO. Participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). É membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).
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