
Do ATUAL
MANAUS – Um dos suspeitos de participar do estupro coletivo de uma adolescente indígena da etnia Kanamari se apresentou à Polícia Civil do Amazonas nesta segunda-feira (19). Awano Rafael Kanamari, de 33 anos, era procurador por gravar as cenas do crime, ocorrido na comunidade Catitu, zona rural de Itamarati, no interior do Amazonas. Ele é o segundo suspeito preso.
O primeiro a ser preso foi um homem conhecido como “Zeca Bomba”, de 50 anos, no dia 9 de outubro. Kodo Isaias Kanamari, de 22 anos, e Tucuwi Carlinhos dos Santos Kanamari, de 25, estão foragidos e, segundo a advogada indígena Inory Kanamari, se escondem em aldeias próximas a Eirunepé. Cildo Kanamari e Wuruh Anderson Kanamari também são procurados.
O crime ocorreu por volta das 16h do dia 18 de setembro e foi gravado e divulgado em grupos de WhatsApp. Segundo o boletim de ocorrência registrado no 68º Distrito Integrado de Polícia de Itamarati, a vítima tem 14 anos.
A denúncia à Polícia Civil foi feita pela Rede Makira-e’ta, organização indígena que fiscaliza casos de violência. Uma familiar da vítima recebeu o vídeo em um grupo de mensagens. O delegado responsável pelo caso é Tiago Luís Juvencio Teixeira.
A polícia apreendeu uma canoa e uma rabeta, mas o Boletim de Ocorrência não detalha a relação desses objetos com o crime. Três suspeitos têm parentesco com a adolescente e pertencem à mesma etnia.
Inory Kanamari afirmou ter intermediado o diálogo entre a Polícia Civil e as lideranças indígenas para facilitar a apresentação voluntária de suspeitos. Ela relatou falta de estrutura e de recursos na delegacia de Itamarati e disse ter acionado a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas). O órgão foi procurado para informar as medidas de acompanhamento e proteção adotadas.
Ainda segundo Inory, a adolescente tem recebido acompanhamento e acolhimento no município de Itamarati, além de atendimento médico e psicológico especializado, e foi matriculada em uma escola.
“Infelizmente, as mulheres no Amazonas ainda enfrentam graves dificuldades de acesso à proteção, ao acolhimento e a uma rede de atendimento adequada diante de situações de violência. Quando se trata de mulheres indígenas, porém, percebo que a invisibilidade e a negligência podem ser ainda mais profundas”, disse a advogada.
