

Por Roseann Kennedy, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, vai retomar a agenda de rua a partir desta quarta-feira (14). Após terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a campanha bolsonarista ganhou ares burocráticos e foi invadida por um clima de “já ganhou”, ao ponto de o candidato até enviar um “save the date” para o presidente da Colômbia se organizar para vir à sua posse em janeiro.
No entanto, as mobilizações pró-Lula na Avenida Paulista e em Copacabana, no fim de semana, lançaram o alerta no QG bolsonarista sobre a necessidade de Flávio voltar o mais possível rapidamente para o contato direto com o eleitor e evitar o salto alto que a evolução da campanha nega ter ocorrido.
O fato é que as imagens dos atos petistas pela virada no segundo turno surpreenderam integrantes da direita. Interlocutores da campanha de Flávio, porém, avaliaram que Lula conseguiu acordar a militância, mas ainda não virou votos e que há espaço para o bolsonarismo conquistar eleitores inclusive que, no passado, votaram no PT.
A ordem é ampliar a vantagem onde o candidato do PL venceu no primeiro turno e reduzir a diferença nos locais em que o petista venceu.
Com esse entendimento, a nova fase da campanha bolsonarista mira capitais onde Flávio perdeu para Lula no primeiro turno, apesar de ter sido escolhido pela maioria do eleitorado do Estado. O primeiro ato ocorre em Porto Alegre, nesta quarta-feira, e vai reunir os três governadores eleitos da região Sul, todos do PL: Zucco (RS), Jorginho Mello (SC) e Sérgio Moro (PR).
Flávio saiu vitorioso em 455 dos 497 municípios gaúchos, somando 55,64% dos votos no Estado. Na capital, no entanto, ficou em segundo lugar, com 41,86%.
São Paulo é outro ponto de atenção e de aposta do “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio ganhou em mais de 93% dos municípios paulistas. Já na capital, perdida para Lula.
A campanha cooperativa de Flávio destaca, no entanto, uma trajetória de queda na vantagem petista: na eleição de 2022, Lula abriu mais de 600 mil votos de frente na capital paulista. No pleito atual, a diferença caiu pela metade, para cerca de 300 mil votos. O objetivo imediato é reduzir ainda mais esse espaço no segundo turno. A manifestação organizada na avenida Paulista no próximo domingo pode ser uma tabela.
Como Lula venceu em todo o Nordeste, mas com uma retração de votos em relação à eleição passada, os bolsonaristas também defendem espaço para crescer na região e avaliam que a capital baiana tem “um cenário a ser explorado”.
Na Bahia, apesar do petista Jerônimo Rodrigues ter sido reeleito governador no primeiro turno, ele teve mau desempenho entre os representantes soteropolitanos. Em Salvador, ACM Neto saiu na frente com 54,32% e agora fará campanha para Flávio na cidade.
A capital baiana tem mais uma curiosidade para contribuição dos bolsonaristas. Foi lá que a primeira-dama Janja da Silva chamou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de “piá de bosta”. Agora, o parlamentar federal que teve a maior votação do País – 3,1 milhões de votos – vai se arriscar como cabo eleitoral de Minas e tentar conquistar votos baianos para Flávio.
Na última semana do segundo turno, toda a agenda de Flávio se concentrou nos três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas e Rio de Janeiro.
