
Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) em reunião com aliados políticos no Hotel San Marco, no centro de Brasília, que ele não vê razões para não ser reeleito presidente no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Estou convencido de que não há nenhuma razão para eu não ser eleito presidente da República no segundo turno. Não há razão econômica, social e política”, disse o presidente.
Lula também destacou que, em 2006, quando ele disputou o segundo turno contra o então ex-governador de São Paulo e agora vice-presidente Geraldo Alckmin – então no PSDB -, Alckmin perdeu votos enquanto que ele conquistou.
“É importante lembrar que meu parceiro Alckmin, em 2006, eu fui para o segundo turno com Alckmin e aconteceu um fenômeno: eu cresci 12 milhões de votos e o Alckmin perdeu quatro milhões de votos”, disse o presidente.
Lula se reuniu nesta segunda com ministros, senadores, presidentes de partidos e políticos aliados eleitos neste domingo, 4, para traçar a estratégia do segundo turno.
“Valeu a pena a campanha que vocês fizeram. (…) Se você perde e deixa uma marca, a derrota pode significar a vitória. Uma campanha bem feita que vocês fizeram, pode ficar certo que deixou uma marca profunda”, afirmou Lula aos candidatos.
O presidente também disse que ficou decepcionado com o resultado do primeiro turno das eleições neste domingo.
“Vocês pensam que eu não fiquei decepcionado? Toda eleição eu fico decepcionado, porque todas eu quero vencer no primeiro turno”, declarou o presidente.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio teve 56.104.503 votos (47,03% dos votos válidos), enquanto Lula terminou com 53.879 538 votos (45,16% dos votos válidos). O petista teve 3.379.966 votos a menos do que no primeiro turno de 2022.
O presidente também reclamou da alta abstenção dos eleitores no voto para escolher o presidente da República. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33 milhões deixaram de ir às urnas, ou seja, 21,08% do eleitorado. “Será que não gostam dos candidatos?”, questionou o presidente.
O presidente questionou as propostas de corte fiscal apresentadas pela campanha de Flávio. “Toda vez nesse País que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social”, declarou.
Ao falar sobre a segurança pública, tema em que Flávio se aproveitou mais durante a campanha, Lula sugeriu uma mudança de tom nos discursos sobre o tema.
“Nós vamos ter que dizer em alto e bom som, agora e depois que a gente aprovar a PEC. A segurança pública tem que proteger o cidadão porque o bandido tem que ir para a cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar”, declarou.
Debate na TV
Lula também afirmou que irá a debates em televisão na corrida pelo segundo turno, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Durante a campanha no primeiro turno, Lula decidiu não comparecer a debates com os demais postulantes à Presidência da República. Ele foi desafiado por Flávio a comparecer ao último debate, na TV Globo, na última quinta-feira (1°), mas nenhum dos dois compareceu após uma sucessão de decisões judiciais em torno das regras do debate e ele acabou cancelado pela emissora.
“Vou ter que fazer mais rádio, vou ter que fazer mais selfies mais selfies, vou ter que conversar mais”, disse Lula em fala na reunião de coordenação com aliados políticos, transmitida pelas redes sociais. “Agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tête-à-tête, agora é um contra um”, defendeu.
Aos aliados que perderam a eleição, Lula pediu que não falem mal do eleitor porque ele não votou neles e disse que a derrota significa um aprendizado para as próximas eleições.
“Aos companheiros que não se elegeram, eu queria deixar aqui: não briguem com o eleitor, não fale mal do eleitor porque ele não votou em vocês”, disse. “Às vezes o povo não vota porque o povo não nos compreendeu. Nem sempre quando a gente abre a boca as pessoas compreendem tudo que a gente fala. Então, a gente tem que ter humildade”.
Por fim, o petista relembrou que foi o candidato que mais perdeu e que mais ganhou eleições para a Presidência da República e voltou a dizer que irá ganhar o pleito de 2026 no segundo turno.
“Vou dizer a vocês olhando para a câmera do Stuckert – na verdade, eu queria olhar para a da Globo, mas como não sei qual é a da Globo, vou olhar para a do Ricardo Stuckert – fotógrafo oficial da campanha-, é o seguinte: se preparem, porque nós vamos ganhar as eleições de outubro”.
