
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Os debates entre os candidatos que disputam as eleições municipais, estaduais e nacional nos últimos anos têm se mostrado cada vez mais enfadonhos. Salvo algum golpe baixo aplicado por um ou outro candidato na tentativa de desqualificar o adversário mais próximo nas pesquisas de intenção de voto, a maior parte do tempo é destinado à repetição de frases de efeito e “propostas” que nada apresentam de concreto sobre os problemas que afetam a população.
Não se vê nesses espaços disponibilizados pelas televisões a discussão dos problemas nacionais, regionais e locais, em grande medida pela falta de capacidade dos que se apresentam como candidatos. Neste sentido, os debates têm se mostrado um retrato da decadência política a que o Brasil vem mergulhando há décadas.
Depois do fim da ditadura militar, e até antes, no período de transição, surgiu no Brasil uma leva de políticos, com formação acadêmica ou não, que conseguia pensar o Brasil, discutir com altivez os problemas das cidades, e apresentar soluções. Muito se avançou em termos sociais, principalmente no aumento da renda per capita (cresceu cerca de 70% de 1995 a 2024), redução da desigualdade (em 18% no período) e da extrema pobreza (saiu de 25% para menos de 5%).
Aos poucos, os homens e mulheres que lutaram contra o regime autoritário e que viveram a utopia de uma sociedade mais justa e igualitária foram cedendo espaço na política para oportunistas que viam na vida pública e na política partidária uma fonte inesgotável para o enriquecimento fácil.
Hoje há uma escassez exagerada de políticos que conseguem refletir com maturidade sobre os problemas que afetam a sociedade. E isso fica claro nos debates dos candidatos.
No Amazonas, as discussões sobre segurança pública giraram em torno da contratação de mais policiais, aumento de salário, garantia de data-base… Nada sobre uso de tecnologia de ponta, ampliação dos recursos de inteligência que se antecipe e surpreenda os criminosos e reduza a letalidade das armas. Todos insistem nos métodos que deram errado nos últimos 30 anos e ajudaram a fortalecer o crime organizado.
O Amazonas aparece em último lugar no ranking de notas médias do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). E a solução que os candidatos apresentaram é a “valorização dos professores”. Não que esses profissionais não mereçam ser valorizados, mas o principal problema é que a escola no Brasil deixou de ser atrativa. As escolas públicas, principalmente, relaxaram na metodologia de ensino. É sofrível em plena era digital os estudantes receberem conteúdos através de um quadro negro ou uma tela branca riscada a pincel, como se fazia no século passado, quando ainda nem existia computador.
As escolas ainda obrigam os estudantes a carregar dezenas de quilos de papel em mochilas, livros que muitas vezes são mal aproveitados em sala de aula, mas que são o único recurso didático disponível na maioria das escolas.
O Brasil precisa de uma revolução no ensino, que envolva toda a sociedade, e que mire o futuro. Não basta aumentar salários e conceder benefícios aos professores sem repensar o modelo de escola e de ensino que se vai aplicar nesses espaços.
Esses e outros temas relevantes deveriam ser parte dos assuntos debatidos pelos candidatos, mas a maioria mal consegue entender o papel de um governador. Muitos estão de olho apenas na chave do cofre por onde passam os bilhões arrecadados pelo Estado. Poucos estão interessados em como fazer com que a riqueza do Estado e do País seja usada para melhorar a vida de todos, mas apenas como aproveitar a oportunidade para melhorar a própria vida e dos seus aliados.
Os candidatos que se distanciam da cobiça pelo orçamento não conseguem elaborar uma ideia que seja interessante para o eleitorado. Chegam a ser patéticos, com falas que mais agride do que convence quem quer escolher entre o ruim e o menos pior.

