
Por Roseann Kennedy, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – A corrupção – que abrange desvios de verbas públicas, uso indevido de impostos e a conduta da classe política – é apontada como o principal problema do Brasil por um a cada quatro brasileiros.O tema é o terceiro mais citado na pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (21), atrás apenas de saúde pública e segurança pública.
Um recorte obtido com exclusividade pelo Estadão mostra que a sensibilidade à pauta varia consideravelmente de acordo com a renda, a escolaridade e o gênero do eleitor. Na avaliação da população em geral, a preocupação com a corrupção mobiliza 26% dos brasileiros. O número é puxado principalmente por homens (38%) e perde força entre a população vulnerável e beneficiários do Bolsa Família(14%).
“A preocupação com a corrupção ganha tração nos segmentos da sociedade em que as necessidades primárias de sobrevivência estão satisfeitas. Enquanto as famílias de menor renda e os desocupados voltam suas atenções para o preço da comida, a disponibilidade de postos de trabalho e atendimento médico, os trabalhadores formalizados, a classe média alta e os jovens instruídos focam na integridade das instituições e o uso do dinheiro público”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
O maior problema do país
A preocupação atinge seus picos entre os homens (34%), contra 18% entre as mulheres; entre quem ganha mais de 5 salários mínimos (34%) e nos trabalhadores do mercado formal (PEA formal, 33%).
Da mesma forma, entre os eleitores de maior escolaridade — Ensino Superior (31%) e Ensino Médio (30%) —, a indignação com desvios de recursos públicos é praticamente o dobro da registrada entre quem possui apenas o Ensino Fundamental (16%).
A pauta também perde força entre os beneficiários do Bolsa Família(14%, ante 27% dos não beneficiários) e registra seu menor patamar na base da pirâmide socioeconômica, com apenas 12% de menções entre quem ganha até 1 salário mínimo.
No recorte por idade, 31% dos eleitores de 16 a 24 anos colocam a corrupção no topo dos problemas nacionais, superando os maiores de 60 anos (22%).
A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.006 pessoas entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%.
