

Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS – Os gastos de campanha de cinco candidatos ao Governo do Amazonas declarados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) somam R$ 20,844 milhões. O senador Omar Aziz (PSD) lidera com o maior volume: R$ 5,780 milhões. Maria do Carmo Seffair (PL) é a segunda, com R$ 5,572 milhões.
Os dados estão disponíveis no DivulgaCandContas e correspondem às movimentações financeiras e aos recursos em dinheiro até o dia 8 de setembro. A prestação de contas foi enviada entre os dias 9 e 13 de setembro. Por se tratar de uma prestação parcial, os valores ainda podem ser atualizados.
O levantamento considera os gastos declarados por Omar Aziz, Maria do Carmo, Roberto Cidade (União), David Almeida (Avante) e Gilberto Vasconcelos (PSTU). Cabo Daciolo (Mobiliza) declarou R$ 10 mil em receitas, mas não há, nos dados analisados, detalhamento de despesas. Isael Munduruku (Rede) não apresenta movimentação financeira declarada no levantamento consultado.
Omar lidera em receitas
Omar Aziz também foi quem declarou o maior volume de receitas entre os candidatos analisados, com R$ 6,12 milhões. Desse total, R$ 6 milhões foram repassados pelos diretórios nacionais do Republicanos e do PSD.
Além dos valores recebidos dos partidos, outros R$ 120 mil foram registrados como recursos privados, sendo R$ 100 mil de Francisco Rocha da Silva e R$ 20 mil de Mário da Silva Barreiro.
No caso da despesa, quase metade do valor foi com atividades de militância e mobilização de rua: R$ 2,784 milhões, o equivalente a 48,17% dos gastos.
Também aparecem entre as principais despesas R$ 700 mil em transporte ou deslocamento e R$ 602.950 na produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. Entre os fornecedores, o maior pagamento informado foi de R$ 595 mil à CTA – Cleiton Táxi Aéreo.
Maria do Carmo também é a segunda em arrecadação. Ela declarou R$ 4,530 milhões em receitas, sendo R$ 4,5 milhões repassados pelo Diretório Nacional do PL e R$ 30 mil registrados como recursos privados da própria candidata.
Os serviços advocatícios representam a maior despesa, com R$ 1.281.000. Na sequência aparecem serviços prestados por terceiros, com R$ 1.025.297,50, e pesquisas ou testes eleitorais, que somaram R$ 873.500.
Maria do Carmo também declarou R$ 529.588 em publicidade com materiais impressos e R$ 496 mil em atividades de militância e mobilização de rua.
Gastos na militância
O governador Roberto Cidade (União Progressista), candidato à reeleição, declarou R$ 4,119 milhões em receitas, considerando R$ 3.855.573,38 do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), R$ 150 mil do Fundo Partidário e R$ 113.803,32 em dinheiro.
Conforme os dados do TSE, as despesas somam a R$ 4,925 milhões. A maior parte foi destinada à militância e mobilização de rua, com R$ 1,635 milhão, equivalente a 33,20% dos gastos.
Roberto Cidade também declarou R$ 750 mil em despesa com produção de programas de rádio, televisão ou vídeo e o mesmo valor para serviços advocatícios. Outro gasto de destaque foi a realização de comício, que consumiu R$ 500 mil, enquanto o impulsionamento de conteúdos somou R$ 480 mil.
Na arrecadação, R$ 3.855.573,38 foram repassados pelo Diretório Nacional do União e outros R$ 151 mil pelo diretório estadual da legenda. A prestação também registra recursos de pessoas físicas.
Despesa maior que a receita
David Almeida (Avante) declarou R$ 4,3 milhões em receitas e gastos estimados de R$ 4,553 milhões. Do total recebido, R$ 4,25 milhões correspondem ao FEFC e R$ 50 mil do Fundo Partidário. O valor aparece integralmente como transferência da Direção Nacional do Avante.
Os serviços advocatícios foram a principal despesa, com R$ 1,1 milhão. A produção de programas de rádio, televisão ou vídeo aparece em seguida, com R$ 1,06 milhão.
As atividades de militância e mobilização de rua somaram R$ 815.160, enquanto serviços prestados por terceiros consumiram R$ 700 mil.
Entre os fornecedores, os maiores pagamentos informados foram de R$ 1 milhão à Otto Produções, R$ 800 mil ao escritório Borghi, Kalil & Kotsifas Advogados Associados e R$ 500 mil ao Grupo Mídia Publicidades e Eventos.
Gilberto Vasconcelos (PSTU) declarou a menor movimentação financeira entre os cinco candidatos que registraram as contas no TSE. A arrecadação foi de R$ 31 mil, sendo R$ 26 mil do Diretório Nacional do PSTU e R$ 5 mil em recursos privados.
As despesas somam R$ 12.500. Desse valor, R$ 9 mil foram destinados a serviços advocatícios, R$ 2.500 a serviços contábeis e R$ 1 mil ao impulsionamento de conteúdos.
Menor receita
Cabo Daciolo declarou R$ 10 mil em recursos recebidos. No levantamento analisado, porém, não há detalhamento de despesas de campanha que permita incluí-lo na soma total de R$ 20.844.396,25.
Na prestação de contas de Isael Munduruku não constam valores. A ausência de registros financeiros não permite concluir que o candidato realizoum, ou não, atividades de campanha.
Os dados mostram que os diretórios partidários são as principais fontes de recursos dos candidatos com maior volume financeiro.
Despesas superam receitas
Somadas as receitas informadas por Omar, Maria, Roberto, David, Gilberto e Daciolo, o valor chega a R$ 19.110.378,70. As despesas declaradas pelos cinco candidatos que apresentam gastos registrados somam R$ 20.844.396,25. A diferença é de R$ 1.734.017,55 entre os dois valores.
A propaganda eleitoral das Eleições de 2026 começou oficialmente no dia 16 de agosto. A prestação parcial analisada reúne as movimentações realizadas até 8 de setembro, enquanto o prazo para envio das informações à Justiça Eleitoral terminou em 13 de setembro.
