
Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS – O professor Vinícius Siqueira Figueiredo, de 23 anos, disse nesta segunda-feira (31) que considera um “milagre” ter sobrevivido ao ataque a facadas cometido por um aluno durante uma aula de reforço. Ele prestou depoimento na Deaai (Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais) e afirmou que está se recuperando, apesar das dores.
Vinícius recebeu alta no sábado (29). Ele estava internado desde quarta-feira (26) quando foi esfaqueado, ao menos nove vezes, pelo adolescente de 15 anos.
Vinícius afirmou que a recuperação foi resultado de uma combinação de fatores, entre eles o fato de os golpes não terem atingido áreas que poderiam ter causado a morte imediata e o socorro recebido logo após a agressão.
“Então, para mim, [foi] uma grande junção de fatos, que é sinônimo de milagre. Um milagre que aconteceu comigo e, graças a Deus, eu tô aqui, né. Graças a Deus, meus pais não estão de luto”, disse, ao deixar a delegacia. O professor contou que consegue realizar atividades normais, mas ainda sente dores.
Sobre a possível motivação para o ataque, o professor afirmou que não consegue apontar uma causa. Questionado se tinha alguma ideia do que teria levado o adolescente a agir, respondeu: “Eu não sei, não faço ideia”.
Vinícius contou ainda que estava apenas na terceira ou quarta aula com o aluno e que os dois se preparavam para acompanhar o desempenho dele em uma segunda prova. Segundo o professor, em nenhum momento houve comportamento que pudesse indicar que uma agressão aconteceria.
“Nunca, nunca, em nenhum momento esperava nada que fosse acontecer”, afirmou. Ele explicou que trabalha com jovens de diferentes perfis e que, naquele caso, não percebeu nada que pudesse fazê-lo imaginar o ataque.
O professor também afirmou que não consegue encontrar justificativa para a agressão, principalmente, segundo ele, por ter ocorrido pelas costas e dentro de uma “relação de confiança entre professor e aluno”. “Então eu não consigo citar nenhuma causa, nenhuma coisa que justifique um ato desse”, declarou.
Futuro
Vinícius disse que ainda não sabe se voltará a dar aulas. Segundo ele, antes de tomar qualquer decisão sobre o futuro profissional precisa lidar com o processo de recuperação física e psicológica.
“Não tenho como afirmar o que vai ser de mim no futuro, claro, mas eu sei que eu tenho muitas coisas a tratar. Dar aula talvez não seja uma coisa que eu pretenda retornar a fazer”, afirmou.
O professor também contou que, durante o ataque, chegou a pensar que morreria. “É instantânea a adrenalina que sobe ali. Eu acho que eu lembro de pensar muito que eu ia morrer naquele momento ali, que meus pais iam ficar muito mal. Eu fiquei com medo de não ser visto ali porque era um lugar fechado, fiquei com medo de que acontecesse o pior comigo ali”, relatou.
Vinícius disse ainda que assistiu às imagens do ataque. “Eu cheguei, infelizmente, eu cheguei a assistir ao vídeo. Não deveria ter assistido, eu acho, mas assisti”, afirmou.
Ao falar sobre os dias em que ficou internado, o professor citou o atendimento recebido no hospital e o apoio de familiares e amigos. Ele também agradeceu às pessoas que enviaram mensagens de apoio, inclusive algumas que não conhecia.
Investigação
A advogada Karolina Frota, que acompanha o caso, afirmou que o depoimento de Vinícius nesta segunda-feira foi concentrado nos acontecimentos relacionados à cena do crime. Segundo ela, as testemunhas foram ouvidas e as informações foram repassadas à Polícia Civil.
“Eu, como profissional, não posso revelar peças íntimas do processo, mas o que eu posso dizer a vocês é que a Justiça está sendo feita e que tudo o que tinha que acontecer foi feito. Nós cobramos e fomos atendidos”, disse.
A advogada também foi questionada sobre uma possível responsabilização dos pais do adolescente. Ela afirmou que essa análise cabe à investigação e ao Ministério Público.
“Essa responsabilização, veja bem, eu, aqui como advogada da vítima, não posso estar usurpando essa função da polícia, do Ministério Público. Esse papel é do Ministério Público em checar essa omissão e essa responsabilidade. Então, essa parte aí a gente deixa para o promotor de Justiça”, afirmou.
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