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Economia

Amazônia lucrativa: estrangeiros negociam R$ 73,2 milhões em produtos da região

14 de agosto de 2026 Economia
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Diversificação de mercados foi tema de evento no CBA (Foto: Felipe Campinas/AM ATUAL)

Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS — Treze importadores internacionais fecharam US$ 14 milhões (R$ 73,2 milhões) em negócios com 42 empreendimentos da Amazônia durante encntros em Manaus. Segundo o presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Laudemir Müller, os acordos foram resultado de 250 reuniões entre produtores da região e importadores estrangeiros.

Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (14) durante a abertura do evento Conexões Produtivas, no CBA (Centro de Bionegócios da Amazônia), em Manaus.

“Esses US$ 14 milhões de negócios que já aconteceram aqui são recursos que vêm direto para quem está produzindo. Essa é uma forma importante de agregação de valor, de fazer essa conexão direta. Por isso é tão importante trazer os compradores internacionais para cá”, afirmou Müller.

O evento reúne representantes do setor produtivo e do governo federal com o objetivo de ampliar a presença de produtos amazônicos no mercado internacional. Também participaram da programação o ministro interino do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e o presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Olavo Noleto.

Pesquisa garante segurança contra contaminação por fungos no processo produtivo da castanha-do-Brasil (Foto: Érico Xavier/Fapeam)
Castanha-do-Brasil é um dos produtos mais procurados pelos importadores estrangeiros(Foto: Érico Xavier/Fapeam)

Entre os produtos da região apontados pela ApexBrasil com potencial de expansão no exterior estão castanha-do-brasil, óleos essenciais, extratos, biojoias, açaí, acerola, outros frutos amazônicos e artesanato.

Müller destacou especialmente o potencial da castanha-do-brasil no mercado europeu. Segundo ele, a União Europeia importa cerca de US$ 1,6 bilhão em castanhas. “Imagine a oportunidade que isso representa ao Brasil, principalmente essa castanha tão diferenciada, que é a castanha da região amazônica”, afirmou.

Mercado europeu

Para o Amazonas, a União Europeia representa uma das frentes para diversificação das exportações. Levantamento da ApexBrasil, elaborado com dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), identificou 242 oportunidades de exportação de produtos amazonenses para os 27 países do bloco.

As oportunidades ganharam impulso com a entrada em vigor, em 1º de maio de 2026, da etapa comercial do acordo entre Mercosul e União Europeia. Mais de 5 mil produtos brasileiros passaram a ter tarifa de importação zerada no mercado europeu.

Segundo Müller, nos primeiros três meses houve crescimento de 50% nas exportações alcançadas pelo acordo, além de aumento de 30% nas cotas. Ele afirmou ainda que foram registrados US$ 100 milhões em exportações de produtos que anteriormente não eram comercializados com o bloco europeu.

“Nós já tivemos nos três meses um aumento de 50% na exportação, tivemos aumento de 30% nas cotas e tivemos US$ 100 milhões de produtos que a gente nunca tinha exportado. Então, vejam a importância que tem a Europa, as oportunidades que a gente tem na Europa, mas no mundo inteiro”, disse.

O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o acordo produz efeitos para produtos da Amazônia e citou a castanha como exemplo. “O Acordo Mercosul-União Europeia não é uma ficção, é uma realidade que já existe. A nossa castanha já entra na União Europeia sem tarifa, sem imposto”, afirmou.

Segundo o ministro, a ApexBrasil identificou oportunidades que podem ampliar a participação de empresas amazônicas no comércio internacional. “Não há dúvida nenhuma de que o que é produzido aqui é produzido com sustentabilidade ambiental, com muita qualidade, e nós vamos poder acessar o mercado europeu como qualquer outro mercado. Nós precisamos ter condições para fazê-lo e o governo federal vem criando essas condições”, disse.

Márcio Elias Rosa afirmou que o governo manterá negociação com EUA para evitar novas tarifas (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr)
Ministro Márcio Elias Rosa: produtos amazônicos têm potencial de mercado internacional (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr)

Tarifaço

A busca por novos mercados ocorre também em meio às dificuldades comerciais enfrentadas pelo Brasil com os Estados Unidos após a imposição de tarifas a produtos brasileiros. O governo federal afirma que mantém as negociações com os norte-americanos, ao mesmo tempo em que procura ampliar as exportações para outros países.

Müller disse que a ApexBrasil se reuniu com 29 entidades setoriais para discutir alternativas para empresas atingidas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, foi elaborado um plano para atender 5,3 mil empresas.

“Vamos pegar na mão de cada empresa que está sendo impactada pelo tarifaço dos Estados Unidos. Uma a uma vamos colocar diante de novos compradores internacionais de mercados alternativos”, afirmou.

Márcio Elias Rosa disse que o governo adotou três estratégias diante das barreiras comerciais: diversificar mercados, manter as negociações com os Estados Unidos e apoiar empresas brasileiras afetadas por meio do Plano Brasil Soberano.

“Quando surgiu a crise, o presidente Lula definiu três estratégias muito claras: diversificar mercados, buscar novos parceiros e fechar acordos comerciais; negociar, por pior que fosse o desaforo, sem sair da mesa; e um grande plano, o Brasil Soberano, para acolher as empresas que sofrem o impacto do tarifaço”, afirmou.

De acordo com o ministro, as iniciativas de diversificação apresentam resultados. Ele afirmou que as exportações brasileiras cresceram, em média, 10,5% para 57 países e citou acordos e iniciativas de abertura comercial com União Europeia e Singapura, entre outros mercados.

“A negociação, infelizmente, não deu certo ainda, mas não desistimos dela, porque não se desiste do processo dialético da democracia, do multilateralismo. Isso não se abre mão; ao contrário, se cultiva todo dia”, afirmou.

O ministro disse ainda que o Brasil continuará negociando com os Estados Unidos, embora o país tenha perdido espaço relativo na corrente comercial brasileira diante do crescimento da China e da União Europeia.

“Continuamos negociando, mas somos muito maiores que qualquer dificuldade. Quem olhava para o Brasil imaginando que ele vai sucumbir não conhece o Brasil, muito menos os brasileiros”, disse.

Empresas da Amazônia

O presidente da ABDI, Olavo Noleto, afirmou que as rodadas realizadas no CBA buscam aproximar diretamente os empreendimentos amazônicos de compradores estrangeiros e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros.

Segundo Noleto, a redução de tarifas no mercado europeu permite que empresas nacionais concorram em melhores condições e pode gerar reflexos sobre emprego e renda no país.

“É a empresa brasileira que agora participa da licitação dos governos lá na Europa, que vai levar seu produto com a taxa zero e, portanto, o preço final dela é competitivo para disputar o mercado”, afirmou.

Para Noleto, o acordo amplia as possibilidades de inserção das empresas brasileiras no exterior. “O acordo com a União Europeia é uma oportunidade para que as empresas brasileiras ganhem mercado, gerem mais emprego de qualidade e, portanto, aumentem a riqueza do Brasil”, completou.

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Assuntos Amazônia, ApexBrasil, castanha-do-brasil, economia, Exportações, Manaus, manchete, União Europeia
Felipe Campinas 14 de agosto de 2026
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