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Esporte

Clubes brasileiros se tornaram favoritos absolutos da Libertadores: a lógica econômica por trás do domínio

6 de agosto de 2026 Esporte
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torcedores de clubes brasileiros
Do ATUAL

A Copa Libertadores da América sofreu uma grande mudança nos últimos anos, com os times brasileiros passando a dominar um cenário que até então era território sobretudo dos argentinos, e, em nível de clubes, os Hermanos somente viram o nível cair ano após ano.

A realidade é que, na última década, as análises e dicas de profissionais em previsões de futebol, como as do Wincomparator, apontam quase sempre um clube brasileiro, ou até os dois principais favoritos, como grande candidato ao título da competição.

Isso é algo particularmente surpreendente, dado que não apenas os argentinos, mas em certa época também os uruguaios, tinham um protagonismo na competição, enquanto os times brasileiros acabavam ficando em segundo plano, embora houvesse muitos fatores que explicavam esse cenário.

Como era a Libertadores antigamente

Nas primeiras décadas, os clubes argentinos eram os que dominavam o torneio, com uruguaios buscando desafiar essa hegemonia. Ao mesmo tempo, os brasileiros não davam tanto valor à competição, considerada violenta até para o padrão da época e um torneio muito custoso em termos de viagens, além de não dar um retorno financeiro tão alto.

Além disso, a própria fórmula da competição era muito diferente. No início, apenas os campeões nacionais de cada país tinham acesso ao torneio, em um formato que tinha apenas o mata-mata (e os times que defendiam o título do ano anterior também entravam em fases mais tardias do torneio).

Esse cenário foi mudando aos poucos, com a entrada de times de mais países (no começo, nem todos os países sul-americanos tinham participantes na competição), e após isso o torneio foi se expandindo também com a entrada dos vice-campeões de cada país, até o formato que vemos hoje, com fases preliminares, de grupos e mata-mata.

Porém, nesses primeiros momentos o formato da competição deixava a competitividade até menor com a entrada tardia de clubes que normalmente já seriam favoritos, numa competição que já tinha uma duração bem curta.

Como o cenário foi mudando

Mesmo nesses primeiros tempos, times como Flamengo, Cruzeiro, Grêmio e Santos chegaram a conquistar títulos da competição, embora nessa época o torneio não fosse tratado como prioridade pelos times brasileiros.

Isso começou a mudar nos anos 90, sobretudo por conta da entrada dos direitos de TV, que aumentaram os patrocínios. Equipes como o São Paulo tiveram um papel importante nisso, já que o tricolor conquistou dois títulos no começo da década, o que fez com que a televisão começasse a ter mais interesse na transmissão do torneio.

Uma das histórias do período é da extinta rede OM, canal de televisão que realizou as transmissões nessa época e ajudou a impulsionar a carreira de Galvão Bueno, que tinha saído da Globo anteriormente, mas que, graças à visibilidade que teve com a competição, retomou seu posto onde ficaria pelas décadas a seguir.

Ao mesmo tempo, isso foi aumentando o interesse dos times brasileiros também na parte esportiva, em uma época em que o cenário internacional estava em expansão (a Conmebol criava várias competições, como a Supercopa da Libertadores, Copa Conmebol e Copa Mercosul, entre outras).

Aos poucos, a situação financeira muda a cara da Libertadores

Já nos anos 90 houve uma mudança drástica na competição: das dez finais disputadas, em sete tivemos brasileiros, com seis campeões.

Isso mostra bem como os times daqui passaram a valorizar o torneio nesta época, embora ainda outros times conseguissem competir em pé de igualdade. Para termos uma ideia, times como River Plate e Vélez Sarsfield ainda conquistaram títulos, além de equipes colombianas da época também terem certa expressividade.

Porém, foi também nesse período que se iniciou uma mudança mais agressiva no esporte, com o dinheiro falando mais alto (e uma tendência que somente se solidificou nos dias de hoje).

Os anos 2000, com o Boca Juniors aparecendo como grande equipe da época, foram os últimos em que tivemos os argentinos como grandes protagonistas da competição. A partir daí, a disparidade começava a aumentar e os brasileiros entrariam numa fase mais dominante.

A chegada de 2010 e o domínio brasileiro

Em 2010 o Internacional conquistava seu segundo título na competição e inaugurava uma era dominada pelos times do Brasil. Até 2020, seriam sete títulos vindo para o país, e o maior desafiante a este cenário foi o River Plate, com dois títulos na década. Ao mesmo tempo em que os direitos de TV do futebol brasileiro cresciam e as receitas aumentavam, em outros países da América do Sul isso não ocorria.

A Argentina é um exemplo claro, onde os direitos de transmissão do campeonato local foram comprados pelo governo, o que a longo prazo apenas enfraqueceu o futebol local (e até hoje as consequências são sentidas, embora, no momento, a fraqueza do futebol portenho em nível de clubes já tenha outras causas).

A era absoluta dos brasileiros pós-2019 e o que esperar do futuro

O River Plate de 2018 foi mesmo o último time não brasileiro a ganhar uma Libertadores, e desde então Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo se revezaram como campeões no período.

Sobretudo o alviverde e o rubro-negro têm uma vantagem financeira gigantesca em relação aos outros times sul-americanos, muito por conta de patrocínios e direitos de TV, mas esses dois times também revelam (e vendem) muitos jogadores.

O grande candidato a desafiante no momento segue sendo o River Plate – os Millonarios têm mais de 300 mil sócios, que garantem uma renda enorme ao clube, além de um estádio para mais de 80 mil pessoas que segue cheio em todos os jogos, mesmo que o time não viva uma fase tão boa há algum tempo.

Além disso, muito se fala também sobre uma possível adoção de um fair-play financeiro no Brasil, e isso certamente mudaria o funcionamento do mercado, embora os outros países sul-americanos ainda continuem a não ter receitas tão grandes quanto os times brasileiros. Nesse cenário, seria possível que houvesse uma certa queda, mas ainda assim com os clubes brasileiros mantendo-se muito fortes no cenário sul-americano.

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Assuntos Argentinos, brasileiros, clubes brasileiros, favoritos, libertadores
Valmir Lima 6 de agosto de 2026
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