
Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (5) que a América Latina sempre foi governada pela direita, exceto pelo período em que políticos de esquerda chegaram ao poder, na chamada “onda rosa” do início do século 21. Segundo Lula, a região agora vive um “revertério” com a vitória de expoentes da extrema direita.
“A América Latina nunca foi de esquerda, sempre foi muito de direita. O melhor momento progressista que a gente viveu na América Latina foi de 2000 a 2012, quando a gente tinha presidentes com a visão democrática e civilizatória avançada. Agora, deu um revertério e a extrema direita começou a ganhar em alguns países”, declarou o presidente, em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos.
Lula disse que, em um eventual quarto mandato, pretende construir uma aliança entre países sul-americanos mesmo com grande parte deles, como Chile, Peru e Colômbia, sendo governados por ultraconservadores. “As pessoas têm que aprender que a relação entre Estados não é ideológica”, disse o presidente.
Empresas dos EUA
Lula disse que os Estados Unidos criticam o governo brasileiro por propor barreiras contra redes sociais. Segundo o presidente, o Planalto não busca punir americanos, e sim delimitar que as big techs tenham os mesmos direitos que entidades de outros países.
“Os Estados Unidos nos criticam porque (dizem que): vocês estão querendo punir nossas empresas. Não queremos punir. O que nós queremos é que a empresa americana venha com os mesmos direitos da empresa brasileira, chinesa, sueca, inglesa, de qualquer lugar. Isso aqui tem lei, país e governo”, declarou.
Guerra do Irã
Sobre o efeito da guerra no Irã nos preços dos combustíveis, Lula afirmou que o governo federal fez com que os efeitos da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã não atingissem o bolso dos brasileiros. Em crítica à política bélica de Washington, o presidente afirmou que o mundo todo está pagando pelo cerco do petróleo no Estreito de Ormuz.
“Todos nós somos vítimas do cerco do petróleo no Estreito de Ormuz. Todo mundo está pagando. Aqui no Brasil, nós tomamos atitudes para não permitir que o preço da guerra chegasse no bolso do povo no feijão, e estamos dando resultados”, disse o presidente.
Desde a eclosão da guerra, no fim de fevereiro, o governo Lula aposta em subsídios no diesel e em outros derivados de petróleo para estancar a alta dos combustíveis, que são afetados diretamente pelo conflito.
