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Esporte

Contra privatização, países da Europa boicotam torneios da Fifa

30 de julho de 2026 Esporte
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Sede da Fifa: organização do futebol sofre boicote de confederações da Europa (Imagem: Fifa/Divulgação)
Por Lara Musa, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Nesta quinta-feira (30), os países europeus confirmaram o posicionamento contra o plano da Fifa de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições. A Uefa destaca que nenhuma de suas seleções será participante dos torneios enquanto esse projeto esteja ainda em discussão.

“Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada”, diz a Uefa em comunicado.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, determinou na última terça-feira (28), um prazo de 53 dias para que as 211 associações nacionais aprovem o plano. Em carta enviada aos membros, afirmou-se que as entidades que rejeitassem a proposta poderiam perder em até 75% do financiamento previsto no novo modelo.

Seguindo o calendário, os próximos campeonatos em que seleções europeias estariam seria os playoffs das Eliminatórias da Copa Feminina, no mês de outubro. Com o prazo estabelecido por Infantino, até este próximo compromisso a proposta já terá uma aprovação ou não por parte das confederações. O Estadão procurou a CBF e a Conmebol mas ainda não obteve posicionamento.

Anterior a este torneio, haverá o Mundial feminino da categoria sub-20 na Polônia. Com início em 5 de setembro, este poderá ser a primeira efetivação do boicote, caso mantenha-se.

Ainda em sua nota, a Uefa afirma que o futebol não é algo que possa ser comercializado, em especial a Copa do Mundo, que pertence à este meio.

“Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão prontas a aceitar, mas pelo que se recusam a negociar. Esse é um destes momentos. Algumas coisas são simplesmente importantes demais para vender. A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda”, finaliza a entidade em seu posicionamento.

Confira a nota completa da Uefa

“A Uefa e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com os responsáveis ??pela gestão do esporte. Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.

As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Esta não é uma “decisão democrática”, mas sim uma governança pela intimidação – um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do futebol mundial.

Mas a nossa oposição vai muito além dos processos. No momento em que investidores externos adquirem participações acionárias em competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se em uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixa de ser guiada pelo que é melhor para o esporte e passa a ser guiada pelo que é melhor para os acionistas.

Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cuja principal obrigação é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem ser subordinados ao retorno dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em busca de lucro.

A posição da Europa é clara. Jamais daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que simplesmente detém em custódia para a próxima geração.

Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.

Ninguém deve ter dúvidas: a Uefa e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação.

Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos.

Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da Fifa pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda”.

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Assuntos Fifa, futebol, UEFA
Cleber Oliveira 30 de julho de 2026
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