
Do ATUAL
MANAUS – Manaus possui 610 hectares de área com probabilidade de ocorrência de deslizamentos de terra, risco que se intensifica durante o período de chuvas do inverno amazônico. A área vulnerável é equivalente a cerca de 875 campos de futebole está classificada com risco muito alto (86%), alto (11%) e médio (3%). Os dados constam na Plataforma Natureza ON, serviço gratuito lançado recentemente pela Fundação Grupo Boticário, em parceria com o MapBiomas e o Google Cloud.
A plataforma combina mapas, dados públicos e estatísticas oficiais para identificar riscos associados a eventos climáticos extremos e, além de apontar as áreas vulneráveis, indica alternativas sustentáveis para reduzir impactos, utilizando a própria natureza como solução.
As informações estão disponíveis para gestores públicos elaborarem soluções para mitigar riscos e adaptar as cidades a um novo cenário climático, marcado pela intensificação de chuvas extremas, vendavais e, por outro lado, pelo aumento de períodos de estiagem prolongada.
“Os deslizamentos de terra tendem a se intensificar durante o período de chuvas mais fortes, quando o solo já está saturado. Muitas áreas urbanas avançam sobre encostas naturalmente frágeis, e a erosão, agravada pelas chuvas intensas intensificadas com a mudança do clima, é um dos grandes desafios das áreas urbanas da região Norte”, afirma abióloga Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário.
“A recuperação da cobertura vegetal, a proteção de áreas de drenagem natural e a valorização de infraestruturas verdes ajudam a estabilizar o solo, melhorar o escoamento da água e diminuir os riscos para a população”, acrescenta.

A restauração de encostas é a Solução Baseada na Natureza mais indicada para evitar os deslizamentos. “A vegetação nativa, associada às chamadas técnicas geotécnicas, que estudam formas seguras de intervir no solo e nas encostas, pode contribuir para a estabilização do terreno, reduzir deslizamentos e regular o fluxo das águas da chuva”, explica Juliana.
Risco de inundações
A plataforma também mostra que Manaus possui mais de 350 hectares com probabilidade de ocorrência de inundações, alagamentos e enxurradas. A área vulnerável equivale a 490 campos de futebol e o risco está classificado em muito alto (91%), alto (5%) e médio (4%). “Compreender as dinâmicas de cheias e de vazantes dos rios na Amazônia é fundamental para pensar na segurança e bem-estar das pessoas. O planejamento urbano depende desse olhar cuidadoso para os ecossistemas naturais”, afirmaJuliana.
Segundo a bióloga, a implementação de lagoas pluviais ou bacias de retenção, que podem fazer parte de parques urbanos. “São estruturas capazes de receber, armazenar e liberar lentamente a água da chuva, reduzindo picos de vazão, alagamentos e ainda melhorando a qualidade da água, e os espelhos d’água ajudam também na redução das ilhas de calor urbanas”, explica Juliana.
Cobertura vegetal
A plataforma mostra também a cobertura vegetal e urbana do município. Quase 80% da área da capital amazonense é composta por formação florestal, com 13% dos limites do município compostos por rios e lagos. Apesar de ser a maior cidade da região Norte e uma das mais populosas do Brasil, Manaus possui pouco mais de 2% de seu território urbanizado.
Nas áreas com maior densidade de construções, são indicadas soluções como corredores ecológicos – que conectam fragmentos de vegetação, permitindo deslocamento de fauna, dispersão de sementes e troca de genes – e parques lineares, que são corredores verdes multifuncionais ao longo dos rios.
“A combinação dessas soluções naturais pode reduzir significativamente os riscos climáticos para a população, contribuindo também para minimizar ilhas de calor e ainda melhorar os espaços públicos, criando áreas de lazer e promovendo mais bem-estar e qualidade de vida, além da preservação da biodiversidade urbana”, afirma Juliana.
(Com Ascom da Fundação Grupo Boticário)

