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Economia

Patrões da construção civil oferecem 6% de reajuste; trabalhadores rejeitam e anunciam greve

10 de julho de 2026 Economia
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A proposta que a categoria levou à assembleia foi de 10% de reajuste salarial (Foto: Arquivo/Sendurb)
A proposta que a categoria levou à assembleia foi de 10% de reajuste salarial (Foto: Arquivo/Sendurb)
Do ATUAL

MANAUS – O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM) ofereceu reajuste salarial de 6% aos trabalhadores do setor, com efeito retroativo a partir de 1º de junho de 2026, após mais de seis rodadas de negociação frustradas com o sindicato da categoria, realizadas entre 9 de junho e 7 de julho na sede da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego do Amazonas (SRMTE/AM). Segundo o Sinduscon-AM, o percentual é superior ao apurado pelo INPC (Índice de preços no consumidor) do período. O sindicato dos trabalhadores não aceitou os termos oferecidos pelo patronal e anunciou greve a partir de quarta-feira (15), que deve mobilizar mais de 40 mil trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial do Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, o Sassá da Construção Civil, afirmou ao ATUAL que a categoria rejeita a proposta patronal por considerar que ela apenas repõe a inflação, sem representar ganho real, além de ser parcelada. Segundo ele, o setor teve alta de 45% na geração de empregos em Manaus entre 2000 e 2026 e recebeu incentivos do Governo Federal, mas os trabalhadores não têm sido beneficiados proporcionalmente.

“A gente não tá aqui para massacrar o patrão, mas também a gente não tá aqui para aceitar um aumento que não vale a pena pro trabalhador”, disse Sassá, que classificou a mobilização como uma resposta a sete anos de perda salarial na categoria. Segundo ele, um servente que ganhava dois salários mínimos há sete anos hoje recebe cerca de um salário mínimo, e um profissional que ganhava três salários mínimos agora não chega a um salário e meio.

Entre as reivindicações da categoria, Sassá citou reajuste de R$ 300 na cesta básica, hoje, conforme ele, limitado à reposição da inflação, e criticou a retirada do benefício para trabalhadores afastados por atestado médico. Também mencionou o fim das horas extras aos sábados com adicional de 100%, auxílio para exames médicos e extensão da cesta básica a trabalhadores terceirizados.

Em nota assinada pelo presidente Frank Souza, o Sinduscon-AM afirmou que as tratativas para a Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 foram frustradas “exclusivamente pelos representantes dos trabalhadores” e que as reivindicações da categoria representariam aumento de custos incompatível com a realidade econômica do setor, especialmente diante de novas diretrizes tributárias previstas para 2027. A entidade declarou não estar de acordo com a instauração de dissídio coletivo, com base no artigo 114, §2º da Constituição Federal, e afirmou ter comparecido a todas as rodadas de negociação.

Ao ATUAL, o presidente Frank Souza rebateu pontos levantados pelo sindicato dos trabalhadores. Sobre o percentual, afirmou que o índice de reajuste costuma ser baseado no INPC, que segundo ele está abaixo de 6% — percentual que a entidade decidiu conceder. Ele confirmou que o reajuste será parcelado para parte das categorias, com 5% imediato e 1% adicional em janeiro de 2027.

Sobre a alegação de que o crescimento de 45% na geração de empregos do setor não teria se refletido em salários, o presidente do Sinduscon-AM argumentou que o dimensionamento de uma obra não implica necessariamente aumento salarial, já que a negociação coletiva discute o piso da categoria, e não o quanto cada empresa pode pagar individualmente.

Quanto à cesta básica, Frank Souza disse que o benefício já é corrigido anualmente pelo índice econômico e lembrou que, no ano passado, o valor da cesta teve alta de 80%, o que, segundo ele, torna difícil um novo reajuste expressivo neste ano.

Sobre a substituição do benefício a trabalhadores afastados, o presidente citou o SECONT (Serviço Social da Indústria da Construção Civil), que segundo ele realiza exames, acompanhamento de normas regulamentadoras (PPRA e PCMSO) e monitoramento da saúde do trabalhador no canteiro de obras, argumentando que esse serviço supre a necessidade apontada pelo sindicato laboral.

Já sobre a cesta básica para terceirizados, Frank Souza afirmou que todos os trabalhadores têm direito ao benefício, mas que, conforme a convenção coletiva, empresas com menos de 30 funcionários não são obrigadas a fornecê-lo — o que costuma ocorrer com empresas terceirizadas de menor porte.

Questionado sobre a possibilidade de acordo antes da greve, o presidente do Sinduscon-AM disse que a entidade patronal segue aberta ao diálogo. “Nós estamos sempre abertos a discutir alguma pauta que consiga se encaixar. Não há nenhum problema, nós nunca fechamos as portas”, afirmou, lembrando que paralisações também ocorreram no ano anterior durante o mesmo período de negociação.

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Assuntos Construção Civil, destaque, greve, reajuste, Sindicato, trabalhadores
Thiago Gonçalves 10 de julho de 2026
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