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Dia a Dia

MP denuncia mulher e três instrutores por morte de jovem em rope jump

8 de julho de 2026 Dia a Dia
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Momento em que Maria Eduarda é erguida para ser lançada da ponte (Imagem: Facebook/Reprodução
Momento em que Maria Eduarda é erguida para ser lançada da ponte (Imagem: Facebook/Reprodução
Por Ederson Hising, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta terça-feira (7), quatro pessoas pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em um salto de rope jump sem cordas, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), no dia 13 de junho. Caso a Justiça aceite a denúncia da promotoria, os acusados se tornarão réus. Eles estão presos desde o mês passado. O MP também pediu à Justiça para que fixe em R$ 200 mil a reparação pelos danos causados.

A organizadora do evento de rope jump, Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, responsável pela Entre Cordas (empresa sem registro), foi denunciada por homicídio com dolo eventual – quando não há intenção, mas se assume o risco de matar –, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A acusação de homicídio se deu na modalidade de omissão imprópria, visto que o MP entendeu que ela era a garantidora da segurança dos participantes e deixou de agir para evitar a morte Evelyne também foi acusada pelo crime de fraude processual por tentar eliminar prova relevante para a investigação. O MP pediu ainda a conversão da prisão temporária dela em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

Procurada pelo Estadão, a defesa de Evelyne informou que ainda aguarda análise da denúncia pela Justiça e que demonstrará a “absoluta inocência da acusada”.

Além da organizadora, a promotoria denunciou os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas. Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos, foram acusados de homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Diferentemente de Evelyne, os três foram denunciados pela ação de arremessar Maria Eduarda. A reportagem tenta contato com as defesas.

Segundo a denúncia, os acusados promoviam saltos de rope jump para cerca de 80 a 100 pessoas por dia de evento sem que houvesse estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança. Os promotores sustentam que os responsáveis pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.

Maria Eduarda foi submetida à modalidade conhecida como “aviãozinho”, na qual os instrutores erguem a praticante e a projetam da estrutura. Para o MP, os acusados lançaram a jovem sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu peitoral, fazendo com que ela caísse de cerca de 40 metros de altura e morresse em decorrência de politraumatismo.

A denúncia também aponta que o grupo de rope jump funcionava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação de saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes. Conforme a acusação, Evelyne deixou de interromper a atividade mesmo após ter ocorrido uma falha operacional semelhante anteriormente.

“A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o rope jump sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigências já vigentes à época dos fatos”, sustentam os promotores.

Sumiço de câmera

A investigação da Polícia Civil, dividida em dois inquéritos, não conseguiu localizar a câmera Go Pro, que estava fixada ao braço da vítima, nem determinar quem retirou o equipamento de Maria Eduarda. Mesmo assim, a organizadora do evento foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.

De acordo com o inquérito, uma testemunha afirmou que Evelyne “mencionou expressamente” a necessidade de apagar o vídeo do salto da jovem. O relatório final da Polícia Civil apontou que ao menos três testemunhas relataram que um homem retirou a câmera da vítima. Porém, nenhuma conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.

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Assuntos Limeira (SP), Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, MP-SP, rope jumping
Cleber Oliveira 8 de julho de 2026
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