
Do ATUAL
MANAUS – Relacionada à produtividade, retenção de talentos, redução de custos e sustentabilidade dos negócios, a saúde mental nas empresas é regulamentada pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), em vigor desde maio de 2026. Pela norma, as empresas devem incluir riscos psicossociais que podem afetar os funcionários.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão e a ansiedade causam perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo.
Para a psicóloga Marcela Viana, a saúde organizacional vai além da prevenção de doenças e deve ser entendida como um fator estratégico para o crescimento das empresas.
“Saúde organizacional é a capacidade de uma empresa manter um ambiente de trabalho saudável, produtivo e sustentável, considerando aspectos físicos, emocionais e relacionais. Esse tema se tornou estratégico porque as organizações perceberam que o bem-estar das pessoas impacta diretamente os resultados do negócio”, afirma.
Segundo a especialista, ainda existe uma diferença importante entre organizações que apenas cumprem obrigações legais e aquelas que efetivamente investem no bem-estar de seus profissionais.
“A empresa que apenas cumpre a legislação atua de forma reativa, focando em evitar penalidades. A organização que investe em saúde organizacional trabalha de forma preventiva, desenvolvendo lideranças, promovendo um bom clima organizacional e reduzindo fatores que podem gerar adoecimento e queda de desempenho”, explica.
Entre os principais reflexos de um ambiente corporativo saudável estão o aumento do engajamento, da produtividade e da retenção de talentos. Para Marcela, quando os colaboradores se sentem valorizados e pertencentes ao ambiente de trabalho, os resultados aparecem de forma natural.

“Ambientes saudáveis aumentam o senso de pertencimento, a motivação e a confiança das equipes. Isso resulta em maior produtividade, melhor desempenho, redução da rotatividade e maior capacidade de atrair e reter profissionais qualificados”, destaca.
Sinais de alerta
Alguns sinais podem indicar que a organização enfrenta problemas relacionados à saúde ocupacional e ao clima interno. A especialista alerta que o aumento do turnover, das faltas ao trabalho e dos afastamentos por questões emocionais merecem atenção.
“Entre os principais sinais estão aumento do turnover, absenteísmo, afastamentos por questões emocionais, conflitos frequentes, queda de produtividade, desmotivação e dificuldades de comunicação entre equipes e lideranças”, observa.
A liderança também exerce papel decisivo na construção de ambientes mais seguros e equilibrados. De acordo com Marcela, os gestores influenciam diretamente a forma como as equipes vivenciam as pressões e desafios do cotidiano profissional.
“A liderança exerce papel fundamental. Líderes preparados promovem diálogo, reconhecimento, segurança psicológica e equilíbrio nas demandas. Já lideranças despreparadas podem contribuir para sobrecarga, conflitos e adoecimento dos colaboradores”, ressalta.
“A prevenção acontece por meio da identificação dos fatores de risco, melhoria dos processos de gestão, capacitação das lideranças e promoção de um ambiente mais equilibrado. O foco deve estar em prevenir as causas do estresse crônico e não apenas tratar suas consequências”, afirma.
Além dos impactos humanos, negligenciar a saúde organizacional pode gerar consequências financeiras expressivas para as empresas. Custos relacionados a afastamentos, rotatividade, queda de desempenho e processos trabalhistas costumam representar prejuízos significativos.
“Os custos podem ser elevados, incluindo afastamentos, aumento da rotatividade, perda de produtividade, retrabalho, processos trabalhistas e dificuldades para atrair e reter profissionais. Negligenciar esses fatores gera prejuízos financeiros e operacionais”, alerta.
NR-01 amplia responsabilidade das empresas
Com a atualização da NR-01, os riscos psicossociais passaram a integrar oficialmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo que as organizações adotem medidas para identificar, avaliar e controlar fatores que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores.
Segundo Marcela Viana, a principal mudança está na necessidade de tratar o tema de forma estruturada e contínua.
“A principal mudança é que os riscos psicossociais passaram a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais. As empresas devem identificar, avaliar e adotar medidas preventivas para fatores que possam afetar a saúde mental dos trabalhadores”, explica.
Para atender às exigências da norma, a especialista recomenda que as empresas realizem diagnósticos periódicos e implementem ações preventivas voltadas para a melhoria do ambiente de trabalho.
“O primeiro passo é realizar um diagnóstico dos riscos existentes, incluindo fatores como sobrecarga, conflitos e assédio. A partir disso, devem ser implementadas ações preventivas, treinamentos para lideranças e acompanhamento contínuo dos indicadores de saúde organizacional”, orienta.
