
Do ATUAL
MANAUS — O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) cobrou explicações da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) sobre os altos preços das passagens aéreas na rota Manaus-Parintins durante o Festival Folclórico. Em resposta ao parlamentar, a agência reconheceu que as tarifas médias aumentaram nos últimos anos no período do evento e atribuiu a alta à forte demanda por voos.
O questionamento foi feito após o gabinete do deputado identificar passagens sendo vendidas por mais de R$ 4,7 mil por trecho para o Festival de Parintins de 2026. Em alguns casos, a viagem de ida e volta entre Manaus e Parintins ultrapassava R$ 9,5 mil, apesar de o trajeto durar pouco mais de uma hora.
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Na resposta enviada ao parlamentar, a Anac informou que o transporte aéreo doméstico opera sob regime de liberdade tarifária e que a agência não estabelece limites para os preços cobrados pelas companhias aéreas. O órgão também afirmou que não realiza monitoramento específico de tarifas por rotas isoladas.
Segundo a agência, é comum que os preços aumentem em períodos de grande procura, como ocorre durante o Festival de Parintins. A Anac informou ainda que passageiros que compram bilhetes com maior antecedência tendem a encontrar tarifas mais baixas.
Os dados encaminhados ao deputado mostram que a tarifa real média da rota Manaus-Parintins-Manaus durante o mês de junho passou de R$ 663,35 em 2022 para R$ 1.352,19 em 2025, alta de aproximadamente 104%.
A resposta da agência também revela que a oferta de assentos na rota caiu cerca de 42% entre 2022 e 2025. Atualmente, segundo a Anac, a operação é concentrada pela Azul e sua subsidiária Azul Conecta, responsáveis pela totalidade dos voos entre Manaus e Parintins desde 2025.
Para Amom, os dados confirmam a existência de um problema estrutural na ligação aérea entre as duas cidades, especialmente em um período de forte movimentação econômica e turística.
“Quando a resposta oficial diz, na prática, que o preço sobe porque a demanda aumenta e que quem quiser pagar menos deve comprar antes, ela ignora a realidade de muita gente no Amazonas. Nem todo mundo consegue se planejar com meses de antecedência”, afirmou o deputado.
A Anac informou ainda que encontrou apenas uma reclamação relacionada ao preço das passagens para Parintins na plataforma Consumidor.gov.br nos últimos cinco anos. Nas bases da Ouvidoria e do sistema Fala.Br, segundo a agência, não foram localizados registros sobre o tema.
Amom contestou a informação e afirmou que recebe reclamações frequentes de moradores de Manaus e de Parintins sobre os preços cobrados durante o festival.
“Eu recebo dezenas de reclamações de cidadãos todos os anos. O fato de a reclamação não virar protocolo oficial não significa que o problema não exista”, disse.
Os dados da Anac também apontam elevada ocupação dos voos durante o festival. Em 2025, a taxa média chegou a 89,5% nos voos de ida para Parintins e a 91,8% nos voos de retorno para Manaus.
O parlamentar informou que continuará cobrando providências da Anac, do Ministério de Portos e Aeroportos e dos órgãos de defesa da concorrência e do consumidor para ampliar a oferta de voos e estimular a entrada de novas empresas na rota.
Entre as medidas defendidas por Amom estão o fortalecimento da aviação regional na Amazônia, maior transparência na formação dos preços e o acompanhamento de rotas com baixa concorrência, especialmente em períodos de grande demanda, como o Festival Folclórico de Parintins.
