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Dia a Dia

MP denuncia 16 implicados na Operação Erga Omnes no Amazonas

14 de maio de 2026 Dia a Dia
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Suspeita e suspeito chegam à delegacia ao serem detidos em operação de combate ao crime organizado (Imagens: WhatsApp/Reprodução)
Suspeitos quando chegaram à delegacia ao serem detidos em operação de combate ao crime organizado (Imagens: WhatsApp/Reprodução)
Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS — Dezesseis pessoas que foram alvo da Operação Erga Omnes, da Polícia Civil do Amazonas, em fevereiro deste ano foram denunciadas nesta quarta-feira (13) pelo MP-AM (Ministério Público do Amazonas) por formação de organização criminosa, tráfico e associação para o tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.

De acordo com o Ministério Público, eles integravam uma “complexa e estruturada organização criminosa” que atuava como braço operacional da facção “Comando Vermelho” em Manaus.

“O grupo articulou uma rede multifacetada que transcendia a traficância ordinária, estabelecendo esquemas de corrupção de advogados e agentes públicos, violação de sigilo funcional e uma sofisticada engenharia financeira para a lavagem de capitais e ocultação de patrimônio”, diz trecho da denúncia.

A denúncia tem como base uma investigação que começou em agosto de 2025, após policiais militares apreenderem 523 tabletes de skunk, sete fuzis, duas lanchas e um veículo, em um porto clandestino no bairro Educandos, na zona sul de Manaus. Na ocasião, policiais militares trocaram tiros com criminosos e prenderam apenas Bruno Alexandre da Silva Candeira. A partir de Bruno, a polícia chegou aos demais integrantes do grupo.

Segundo a polícia, o grupo era liderado por Allan Kleber Bezerra Lima, que controla as empresas AFS Pinho, AKB Lima e S&D Vans. O MP afirma que é integrante da facção e que usava as empresas para camuflar transferências bancárias destinadas ao financiamento do tráfico e ao pagamento de propinas.

O MP afirma que Allan “detinha o domínio do fato e o controle finalístico de todas as operações, por meio da coordenação das ações dos demais agentes, rotas de tráfico, gestão das empresas de fachada e ordenação do corrompimento de agentes públicos”.

O MP acusa a advogada Núbia Rafaela Silva de Oliveira e a sócia dela, Lucila Meireles Costa, de atuar “como elo entre o crime organizado” e o servidor do TJAM, Izaldir Moreno Barros, que é denunciado por receber propina para vazar a elas informações de processos sigilosos.

De acordo com a denúncia, o grupo tinha oito núcleos: comando, operacional, lavagem de capitais e operadores financeiros infiltração no Poder Judiciário, agentes públicos e apoio interestadual. Estes dois últimos ainda estão sendo investigados.

O número de comando era composto apenas por Allan. Enquanto o núcleo operacional era composto por seis pessoas:

  • Bruno Alexandre da Silva Candeira;
  • Messias Daniel da Silva Alves;
  • Luana Ferreira Tavares;
  • Daniel da Silva Sansereth;
  • Carlos Victor Vieira da Silva;
  • Heberton Pereira Moraes (falecido)

De acordo com o MP, seis pessoas eram responsáveis por conferir aparência de licitude aos ativos provenientes do tráfico de drogas, por meio de empresas de fachadas e transações financeiras.

  • Antônia Fabiane Silva Pinho;
  • Patrícia Chagas Bezerra;
  • Josafá de Figueiredo Silva;
  • Bruno Renato Gatinho Araújo;
  • Ronilson Xisto Jordão;
  • Osimar Vieira Nascimento

Quatro pessoas foram denunciadas por integrar o núcleo de infiltração no Poder Judiciário. Segundo o MP, eles pagaram o propina ao servidor Izaldir, que atuava para obter dados sigilosos de processos em segredo de Justiça. O MP afirma que isso permitia que a organização pudesse agir antecipadamente.

  • Núbia Rafaela Silva de Oliveira;
  • Lucila Meireles Costa;
  • Adriana Almeida Lima;
  • Izaldir Moreno Barros

Sobre os núcleos “agentes públicos” e “apoio interestadual”, o Ministério Público afirma que identificou transações milionárias e expressivas que “apontam para o envolvimento com o tráfico de drogas, organização criminosa, entre outros crimes”. Os fatos ainda estão em investigação.

“Contudo, as diligência e análises ainda estão em andamento, havendo a necessidade de postergar o oferecimento de denúncia em relação a esses agentes para após o encerramento das análises”, diz a denúncia.

Em fevereiro deste ano, o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia, afirmou que os suspeitos atuavam na logística do tráfico de drogas que eram compradas na Colômbia e os valores eram movimentados por empresas de fachada no Amazonas e no Pará. Elas simulavam atividades legítimas de logística, mas na prática movimentavam drogas para vários estados.

Leia mais:

Servidora da prefeitura está entre presos de ‘núcleo político’ de facção; saiba quem são

Restrições

Nesta quarta-feira, os promotores do Gaeco também se manifestaram favoráveis à conversão da prisão em medidas cautelares de Anabela Cardoso Freitas, Alcir Queiroga Teixeira Júnior, Sander Galdencio Candido de Brito, Cristiano Luan da Silva Cacau e José Admilson de Vasconcelos Júnior.

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Assuntos Comando Vermelho, destaque, Manaus, MP-AM, Operação Erga Omnes, Polícia Civil, tráfico de drogas
Felipe Campinas 14 de maio de 2026
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