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Economia

Dinâmicos, jovens ainda são ‘deixados de lado’ nas empresas

9 de maio de 2026 Economia
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Jovem trabalhador em linha de produção de fábrica: força produtiva ainda ignorada nas empresas (Foto: Arquivo/Agência Brasil)
Por Marcelo Moreira, especial para o ATUAL 

MANAUS – Quando trabalhava como jovem aprendiz na área administrativa de uma empresa em Manaus, Lanakelly Silvaneira*, de 21 anos, sentia que era “deixada de lado” nas decisões da equipe e, frequentemente, desrespeitada por causa da idade. 

“Meu comprometimento e responsabilidade eram constantemente questionados e minhas sugestões e opiniões raramente eram levadas em consideração. Mesmo após dois anos de trabalho, uma colega nunca se referiu a mim pelo meu nome, sempre me chamando de ‘ei, menina’, ‘ei, garotinha’. Isso gerava comentários negativos sobre a ‘geração Z’, muitas vezes em forma de indiretas”, conta a jovem, que agora é estudante de psicologia. 

Uma pesquisa da plataforma Intelligent.com revelou que seis em cada dez empregadores demitiram trabalhadores da geração Z, nascidos entre 1997 e 2010. Os principais motivos para as demissões são a falta de motivação ou iniciativa (50%), habilidade de comunicação precária (39%) e falta de profissionalismo (46%). 

Para a profissional de Recursos Humanos Caroline Araújo, o conflito entre gerações ocorre pela falta de compreensão da geração anterior e pela forma como a geração Z enxerga o mercado de trabalho. 

“É natural que a geração anterior reclame da geração atual. As profissões tradicionais têm ocupado cada vez menos a geração Z. Eles querem profissões diferentes, eles querem liberdade para trabalhar, para serem criativos. Essa geração veio para modificar a forma que o empregado vê a empresa. A gente percebe que os jovens não estão preocupados só com o valor que eles vão receber, mas com o ambiente em que eles estão, se é um ambiente saudável, por exemplo”, disse Caroline.  

Caroline Araújo: jovens querem também ambiente de trabalho mais livre  (Foto: Divulgação)
Caroline Araújo: jovens querem também ambiente de trabalho mais livre (Foto: Divulgação)

A geração Z surgiu em meio a diversos estímulos e ferramentas informacionais, como as redes sociais e as plataformas de Inteligência Artificial. O ambiente digital proporcionou o desenvolvimento de novas habilidades, mas, principalmente, rotinas aceleradas e relacionamentos superficiais. Esses são fatores que podem ter efeitos no emocional.

A psicóloga e gestora de RH, Melina Caddah, diz que tenta manter o equilíbrio geracional no quadro de funcionários de uma empresa onde 20% deles têm entre 21 e 28 anos; 8% até 21 anos; e 12% acima de 50 anos. 

“A geração Z acaba sendo rotulada por ser mais sensível, ter mais dificuldade de relacionamento, mas, na verdade, existe também dificuldade das outras gerações em compreender essas mudanças no comportamento e na capacidade dos jovens, porque eles cresceram num ambiente com mais acesso à informação, mais acesso à saúde mental, menos tolerância a ambientes rígidos. E isso pode ser interpretado como fragilidade, mas na verdade é uma mudança de valores”, afirma. 

Líder de uma empresa com mais de 700 funcionários e 25 lojas em Manaus, Mariah Andrade diz que prioriza a diversidade de gerações em um processo seletivo, mas explica que o principal desafio no conflito entre elas é a comunicação. 

Jovens buscam valorização profissional, mas querem ambiente de trabalho menos rigoroso (Imagem ilstrativa gerada por IA/Meta)
Jovens buscam valorização profissional, mas querem ambiente de trabalho menos rigoroso (Imagem ilstrativa gerada por IA/Meta)

“Nós somos porta de entrada para jovens de primeiro emprego, sem experiência. O conflito existe, principalmente pela dificuldade de comunicação. Mas a empresa tem muito mais a ganhar trabalhando essa multiplicidade do que excluindo uma geração em detrimento de outra. Acredito no potencial da geração Z e, ainda mais, em equipes que sabem reunir gerações diferentes em torno de um mesmo propósito”, disse Mariah. 

De acordo com especialistas, as empresas devem investir em iniciativas que fortaleçam e incentivem o conhecimento e as habilidades da geração Z.  “A geração Z contribui de uma forma muito ativa. Quando a gente se refere à inovação, agilidade, domínio da IA para trazer mais celeridade e até um olhar mais crítico sobre a cultura das empresas e ao propósito que as pessoas vivem. Essa contribuição deve acontecer de forma responsável e consistente. Por isso, os jovens precisam de abertura”, disse Melina Caddah. 

Troca de aprendizado 

Para manter o ambiente diverso, além de criar estratégias para lapidar e compreender as características da nova geração, empregadores devem praticar momentos de escuta e troca de saberes entre os funcionários. Segundo a especialista em RH, Caroline Araújo, o respeito é fundamental nesse debate.

“Respeito é a palavra-chave. O respeito vem com a escuta. Se você escuta o que o outro tem a dizer, que eles têm a somar, isso faz muito a diferença. Ao mesmo tempo que tem pessoas da geração mais antiga que não conseguem enxergar o valor e as habilidades da geração Z, tem aqueles da geração Z que não têm humildade para aprender”, disse Caroline. 

“No ambiente profissional, todos os saberes se completam. O jovem vem com a pegada da transformação, enquanto quem é da geração anterior geralmente tem um comportamento menos impulsivo, checar as coisas para uma melhor gestão de mudanças. Então, existem conflitos, mas existem formas de transformá-los em aprendizado”, complementou Melina Caddah. 

*Lanakelly é o nome fictício para preservar a identidade da entrevistada. 

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Assuntos destaque, geração Z, Jovens, Menor Aprendiz, Mercado de Trabalho, recursos humanos
Cleber Oliveira 9 de maio de 2026
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