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Política

Relator de CPI diz que decisão de Gilmar visa garantir impunidade de poderosos

19 de março de 2026 Política
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Alessandro Vieira diz que o STF protege poderosos (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Alessandro Vieira diz que o STF protege poderosos (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Por Gustavo Côrtes, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou nesta quinta-feira (19) a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, que anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen aprovada pela comissão.

 O parlamentar afirmou que o magistrado tem atuado para proteger o também integrante da Corte Dias Toffoli, cujos negócios receberam aporte do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

“Infelizmente, não é surpresa. Ainda ontem (quarta-feira, 18) alertei no plenário do Senado para essa ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos. Para contemplar seus interesses não têm nenhum constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República. Reitero o alerta: o abuso constante está destruindo a credibilidade da Justiça”, escreveu o senador no X.

Vieira afirmou que o colegiado poderá recorrer da decisão, para investigar o envolvimento de ministros do STF com o Master. “Vamos resistir em todas as frentes, seja através de recursos ao presidente do STF ou na luta pela CPI específica para investigar os ministros supostamente envolvidos no escândalo. Essa é a verdadeira defesa da democracia, que só existe com todos iguais perante a lei”, completou.

O Arleen tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e comprou cotas do resort Tayaya, no interior do Paraná, do qual Toffoli, seus irmãos e um de seus primos eram sócios. No total, o empreendimento recebeu R$ 20 milhões. Gilmar já havia anulado a quebra de sigilo da Maridt, empresa dos Toffoli que foi beneficiada pelos aportes.

Desta vez, o ministro considerou que o requerimento de autoria do senador Sérgio Moro (União-PR) e aprovado nesta quarta-feira, não é válido, porque foi aprovado em bloco. Ele citou decisão do ministro Flávio Dino, que anulou quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela CPI do INSS.

“Nesse ponto, sem me alongar de forma excessiva, relembro que o Ministro Flávio Dino (…) registrou que a votação em bloco (ou em globo) de requerimentos de quebra de sigilo ‘parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais’”, escreveu.

Autor do requerimento anulado, Moro também criticou Gilmar, com quem tem desentendimentos desde quando era juiz federal e coordenava a Operação Lava Jato, da qual o ministro era crítico.

“Atualmente, as CPIs do Congresso fazem o seu trabalho e tentam investigar crimes graves, enquanto alguns Ministros do STF atuam para impedir as investigações”, escreveu o senador no X.

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Assuntos Alessandro Vieira, CPI do Crime Organizado, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, resort
Cleber Oliveira 19 de março de 2026
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