
Do ATUAL
MANAUS — A maioria dos principais produtos da cesta básica em Manaus ficou mais barata entre 2022 e 2026, conforme levantamento do ATUAL com base em dados do Procon Manaus e do Procon Amazonas. Entre nove itens comparáveis, apenas café, banana e ovos registraram aumento de preço, influenciados por fatores como demanda internacional, sazonalidade e custos logísticos.
Nesta segunda-feira (16), o ex-prefeito de Manaus Alfredo Nascimento (PL), que é presidente do PL no Amazonas, publicou um vídeo nas redes sociais em que critica o preço dos alimentos. Ele afirma que a “alta absurda” dos produtos estaria relacionada à política econômica adotada pelo governo do presidente Lula.
“Há quanto tempo não se paga tão caro por um café. Olha o preço do café. Que absurdo! Você lembra qual era o preço do arroz há quatro anos? O preço do óleo? Até o ovo ficou muito mais caro. E não se engane, essa alta absurda de preços tem a ver com a política de preços praticada em Brasília, que é uma verdadeira esculhambação”, afirma o político. O vídeo foi agravado em um supermercado em que ele simula comprar os produtos.
Os preços coletados em pesquisas realizadas entre 2022 e 2026, no entanto, mostram que o preço dos alimentos tem sido menor. Em dezembro de 2022, o preço médio do quilo do feijão era de R$ 7,65; o do arroz, R$ 4,63; o do óleo, R$ 10,17; e o do leite em pó, R$ 17,20. Em março de 2026, o preço médio do quilo do feijão está em R$ 6,59; o do arroz, R$ 3,80; o do óleo, R$ 7,83; e o do leite em pó, R$ 14,97. As pesquisas consideram marcas populares e .
Na pesquisa de 2022, o café aparece com preço médio de R$ 10,43 o quilo. Entretanto, o ATUAL verificou que, naquele período o valor se referia ao pacote de 400 gramas. O levantamento de 2026 indica preço médio de R$ 11,81, mas para embalagens de 250 gramas. Veja a lista completa:
| Produto | Média 2022 | Média 2026 | Variação |
| Arroz | R$ 4,41 | R$ 3,80 | ↓ R$ 0,61 |
| Feijão | R$ 7,48 | R$ 6,59 | ↓ R$ 0,89 |
| Óleo | R$ 10,17 | R$ 7,83 | ↓ R$ 2,34 |
| Sal | R$ 1,82 | R$ 1,51 | ↓ R$ 0,31 |
| Café | R$ 10,87 | R$ 11,81 | ↑ R$ 0,94 |
| Macarrão | R$ 3,40 | R$ 2,40 | ↓ R$ 1,00 |
| Leite em pó | R$ 17,20 | R$ 14,97 | ↓ R$ 2,23 |
| Banana | R$ 6,70 | R$ 8,58 | ↑ R$ 1,88 |
| Ovos (30 un.) | R$ 20,19 | R$ 21,97 | ↑ R$ 1,78 |
Variações
De acordo com a economista e professora Michele Aracaty, o preço dos alimentos está sujeito a variações relacionadas à oferta do produto, à sazonalidade e aos impactos das mudanças climáticas. No caso do Amazonas, questões logísticas também podem contribuir para o aumento dos preços. “No que tange às questões regionais, os problemas logísticos e infraestruturais também impactam o preço dos produtos”, disse.
Segundo Michele, a alta dos preços obriga o consumidor assalariado a buscar opções mais baratas em diferentes pontos de venda. “A inflação dos alimentos pesa mais para a população que recebe salário, o que leva à busca por melhores preços e à procura por diferentes locais de compra, como feiras e supermercados”, afirmou.
Em relação ao café, Michele explica que se trata de uma commodity e que seu preço está sujeito ao mercado internacional. “Com a alta das cotações externas, o produtor tem optado por exportar para aumentar o lucro. Além disso, há um fator recente: a China passou a comprar mais café brasileiro, o que eleva a demanda internacional”, disse a economista.

Em relação à banana, a professora explica que o produto tem uma característica regional que está ligada ao aumento de consumo e capacidade produtiva. “Nosso consumo é tão alto que temos que comprar parte do que demandamos de outros estados”, disse Michele.
Veja o vídeo de Alfredo Nascimento.
