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Variedades

Atriz adapta para o cinema a incrível história de ‘Cyclone’

5 de dezembro de 2025 Variedades
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Atriz Luiza Mariani em cena de ‘Cyclone’: história sobre única mulher do movimento Modernista (Imagem: Muiraquitã Filmes/Divulgação)
Atriz Luiza Mariani em cena de ‘Cyclone’: história sobre única mulher do movimento Modernista (Imagem: Muiraquitã Filmes/Divulgação)
Por Leonardo Neto, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Há duas décadas, a atriz Luiza Mariani teve o seu primeiro contato com a história de Maria de Lourdes Castro Pontes, a única mulher a participar do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade no centro de São Paulo. O diário está registrado no livro ‘O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo’, publicado pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros.

A partir daí, a história de Daisy Pontes ou Miss Cyclone, como Maria de Lourdes era chamada pelos Modernistas, virou uma espécie de obsessão para a atriz que, em 2006, produziu e atuou na peça que levou para os palcos o diário da garçonnière de Oswald, jogando luz no legado de Cyclone, que teve uma vida breve, intensa e com um final trágico.

Luiza retoma agora essa história no longa-metragem Cyclone, dirigido por Flávia Castro a partir do roteiro escrito por Rita Piffer e pela própria Luiza Mariani. Eduardo Moscovis, Karine Teles, Luciana Paes, Magali Biff, Ricardo Teodoro e Rogerio Brito completam o elenco.

“Entre o primeiro contato com o livro e a estreia do filme são 20 anos. Eu estava procurando algo para fazer no teatro em 2005, quando me deparei com este livro, que ganhei de presente. Eu não conhecia a história dela, mas fiquei apaixonada por essa personagem que morre tão jovem e teve um papel fundamental no Movimento Modernista”, disse a atriz em entrevista ao Estadão.

Acompanhando as figuras do Modernismo de perto, Miss Cyclone se apaixona por Oswald de Andrade, com quem tem um relacionamento até a sua morte aos 19 anos, em decorrência de um aborto clandestino. “Ela foi uma mulher com ímpeto, com talento, com desejo de inscrever o seu talento no mundo através de sua escrita”, resume Luiza. Daisy deixou um diário, hoje custodiado pela Unicamp, e uma série de manuscritos que Oswald assumiu ter perdido ao longo da vida.

Com uma história tão cheia de lacunas, esquecimentos e invisibilizações, reconstruir a história de Cyclone para o filme foi um grande desafio encarado a quatro mãos por Luiza e Rita, que buscaram se distanciar um pouco da personagem real e recriar uma Daisy possível.

O primeiro desafio era a diferença de idade entre a personagem-tema e Luiza, que a interpreta no filme. Cyclone morreu aos 19 anos, e Luiza estava com 39 quando começou as gravações do longa. No filme, Daisy aparece mais velha e isso fica claro quando a personagem procura um médico para o aborto clandestino que a alerta dizendo que aquela pode ser a sua última oportunidade de ter filho por conta da idade.

“Quando a Luiza me procura para o filme e eu tenho esse desafio de fazer uma personagem mais velha, eu acho muito interessante. Na verdade, eu acho até mais interessante do que a personagem jovem porque o destino dela foi tão trágico, tudo é tão interrompido que a gente não sabe quem ela seria. Será que ela era uma gênia literária? Será que não foi?”, se questionou Rita em conversa com a reportagem.

Outro ponto que distancia a Cyclone ficcional da personagem real é a ausência de Oswald no filme. No roteiro, a essência do Modernista é colocada em Heitor Gamba, um personagem que não existe na realidade e que, no filme, foi interpretado por Eduardo Moscovis.

No longa, Daisy é uma dramaturga em busca de reconhecimento. Ela quer ver seu nome nos créditos de sua peça, prestes a estrear no Theatro Municipal de São Paulo. Ao mesmo tempo, busca uma bolsa de estudos em Paris, uma forma de seguir com a sua escrita e se impor como autora autônoma, fora da sombra de Heitor. Tudo isso é interrompido pela gravidez não planejada.

Cidade-personagem e seus sons

A cidade de São Paulo é uma personagem importante no filme. O Theatro Municipal, inaugurado em 1911, e as ruas ainda com os trilhos dos bondes são elementos que transportam o espectador para o tempo de Cyclone.

Além disso, há uma paisagem sonora que chama a atenção. Daisy é uma operária que vive no Brás e trabalha em uma gráfica anarquista. Os barulhos do trem, das máquinas e dos vizinhos ruidosos formam um cenário sonoro que dão conta de compor uma cidade em franca expansão.

O filme estreou no Festival de Xangai, na China, e depois passou pelo Festival de Munique, na Alemanha antes de chegar na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, quando o filme foi exibido no palco do Theatro Municipal. Agora, Cyclone está em cartaz no circuito comercial.

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Assuntos cinema, Cyclone, Luiza Mariani, Mário de Andrade, Modernismo
Cleber Oliveira 5 de dezembro de 2025
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