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Economia

Suframa rebate artigo de professor publicado no ‘Valor’ contra a ZFM

10 de novembro de 2025 Economia
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Bruno Carazza
Bruno Carazza é professor da Fundação Dom Cabral e articulista do Valor Econômico (Foto: Reprodução)
Do ATUAL

MANAUS – A Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) rebater com veemência um artigo assinado pelo professor da Fundação Dom Cabral Bruno Carazza e publicado no jornal Valor Econômico nesta segunda-feira (10) atacando o modelo Zona Franca de Manaus. O artigo intitulado “COP em Belém e bilhões para ar-condicionado em Manaus” foi considerado pela Suframa como uma visão distorcida e unilateral sobre o papel da ZFM e seus incentivos fiscais.

“Matéria falha ao não reconhecer o principal e inegável papel da ZFM: a preservação da floresta em pé”, diz a nota da Suframa.

O artigo foi publicado no mesmo dia em que o Cieam (Centro da Industria do Estado do Amazonas), que representa a indústria local, informou que vai apresentar na Zona Azul da COP30 um trabalho desenvolvido junto às empresas do Polo Industrial de Manaus no âmbito de ESG (sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança, em português).

A Blue Zone (Zona Azul) da COP30 é o principal espaço diplomático da conferência, onde ocorrem as negociações oficiais entre chefes de Estado, delegações e organismos internacionais.

O artigo de Bruno Carazza reclama de que o volume de recursos que o governo brasileiro pretende arrecadar com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre é menor do que o que o Brasil deixa de arrecadar com os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus.

Em outro trecho do artigo, o professor da Fundação Dom Cabral sugere que a produção de ar-condicionado no Polo Industrial de Manaus é incompatível com os objetivos do desenvolvimento sustentável.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa, gravou um vídeo em que se mostra irritado e sugere que o articulista do Valor Econômico vá “catar coquinho”, uma expressão regional que significa “vá procurar o que fazer”.

Abaixo a nota da Suframa:

NOTA À IMPRENSA

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) refuta, de forma veemente, as alegações contidas na coluna “COP em Belém e bilhões para ar-condicionado em Manaus”, veiculada em 10 de novembro de 2025 pelo jornal “Valor Econômico”, que apresenta uma visão distorcida e unilateral sobre o papel da Zona Franca de Manaus (ZFM) e seus incentivos fiscais, especialmente no contexto da sustentabilidade e do combate ao aquecimento global.

A matéria falha ao não reconhecer o principal e inegável papel da ZFM: a preservação da floresta em pé. A ZFM é um instrumento de desenvolvimento socioeconômico e sustentável para a região amazônica que, ao concentrar a atividade industrial em um modelo referenciado como “indústria sem chaminé”, evita a interiorização do desmatamento e de atividades predatórias em uma vasta área da Amazônia Ocidental. Além disso, O modelo Zona Franca tem sido, ao longo de décadas, a âncora econômica que garante a subsistência de milhões de pessoas na região, gerando cerca de 500 mil empregos – diretos, indiretos e terceirizados, e consolidando o Amazonas como um dos estados com menor índice de desmatamento do bioma.

Nada obstante, é incorreto apresentar a renúncia fiscal como um custo sem retorno, sugerindo que os recursos poderiam ser melhor aplicados. O Estado do Amazonas é um dos poucos da Federação que recolhem mais impostos federais do que recebem em transferências constitucionais, em uma proporção superior a três vezes nos últimos anos, além de ter uma das maiores participações dos tributos na composição do PIB entre as Unidades da Federação. Em 2022, essa participação foi de 16,08%, atrás apenas do Espírito Santo (18,16%) e de Santa Catarina (17,97%), de acordo com os dados das Contas Regionais do IBGE. Também a esse respeito, Estudo da Fundação Getúlio Vargas que avaliou os Gastos Tributários no Brasil e o Custo Fiscal da Zona Franca de Manaus revelou que as regiões mais ricas, como o Sudeste e o Sul, tem as maiores contribuições para a renúncia fiscal no país. Esse padrão se repete quando tanto no caso de gastos tributários federais quando estaduais. Do montante global de renúncia, 62% do gasto é destinado para as regiões Sudeste (46%) e Sul (16%). Também, o estudo aponta que quando se compara com a arrecadação da União nos Estados como proporção dos gastos tributários federais recebidos pela União, novamente, São Paulo se destaca com 6,44%, seguido do Rio de Janeiro (6,42%) e de Santa Catarina (5,18%). O estado do Amazonas devolve mais do que recebe de renúncia, uma vez que seu percentual é de 1,74%.

Em relação à crítica de se produzir condicionadores de ar na ZFM, a concentração de empresas que produzem equipamentos de refrigeração e eletroeletrônicos no PIM decorre do modelo de compensação fiscal que atrai indústrias de alta tecnologia para o centro da Amazônia. Além disso, a Lei de Informática exige que as empresas invistam em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), alocando recursos que chegaram a R$ 1,48 bilhão em 2023 em projetos que geram impacto real na região. A sugestão de “desmame gradual” da indústria em favor da bioeconomia desconsidera a complementaridade entre os setores. O modelo da ZFM é o instrumento fundamental que, ao garantir a estabilidade econômica e social, cria as condições para que a bioeconomia e outras atividades sustentáveis possam florescer na região.

A Suframa reitera seu compromisso com a modernização e a adequação do modelo ZFM, amparado constitucionalmente até 2073, para que o desenvolvimento regional continue a ser um âncora de preservação ambiental e um farol de sustentabilidade para o Brasil e o mundo.

Atenciosamente, Superintendência da Zona Franca de Manaus

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Assuntos Amazonas, destaque, suframa, Zona Franca de Manaus
Valmir Lima 10 de novembro de 2025
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